Boa qualificação depende de melhorias no ensino
Como elevar a qualificação da mão de obra num país em que o percentual de profissionais com nível superior e pós-graduação nos setores produtivos ainda é muito baixo? "A mão de obra tem que começar com uma educação de base, que desenvolva o aluno em habilidades e competências. Hoje, as escolas públicas do ensino fundamental, que vai do 1º ao 9º ano, têm formado alunos com limitações. Esse aluno vai se tornar um jovem necessariamente produtivo na sociedade, mas aí as empresas não terão a mão de obra qualificada porque esse aluno não tem uma provação educacional de qualidade. É fundamental apontarmos nossos olhos para o ensino fundamental. E depois, o sistema educacional tem que qualificar esse jovem para as diferentes necessidades da sociedade moderna", avalia o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira, acrescentando que das instituições de ensino superior brasileira saem em média 14% da mão de obra nacional. "A grande maioria sai do fundamental ou do ensino médio para o trabalho", observa.
O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Porsse, afirma que uma grande deficiência do Brasil é a baixa produtividade em relação às principais potências mundiais. "Tem uma série de fatores institucionais, de regulamentação, que influenciam um pouco isso. Olhando alguns dados da economia mundial, hoje 12% da nossa força de trabalho tem escolaridade superior, enquanto nos Estados Unidos e Coreia do Sul o índice é mais do que 20%. Temos um deficit de qualificação muito grande para ser resolvido", aponta.
Para o economista, fatores institucionais como uma legislação trabalhista "travada" fazem com que a velocidade de capacitação da mão de obra nacional fique muito aquém das necessidades do mercado. "Nossa legislação trabalhista é muito rígida. Em função das leis, que amarram muito tanto o trabalhador quanto o empresário, a mobilidade de mão de obra entre os setores fica mais restrita e não chega a ser suficiente para oxigenar o mercado produtivo. Outras economias têm regras mais flexíveis, então rapidamente se consegue ter um ajustamento em função de algum choque de produtividade ou tecnologia. No Brasil, isso é bem mais limitado", detecta.
Pró-reitor adjunto de graduação e educação profissional da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o professor Carlos Henrique Mariano destaca que é dever das instituições de ensino superior formar profissionais completos, aptos a acompanhar as contantes mudanças tecnológicas. "Independentemente que as demandas de desenvolvimento de nossa pós-graduação sejam grandes, queremos manter o equilíbrio, porque é muito importante que a graduação tenha profissionais capazes de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e de se inserir na sociedade de maneira efetiva", afirma. A melhoria na formação profissional é um compromisso que o poder público e o setor produtivo devem assumir junto com as instituições de ensino, observa o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira. "O Brasil tem carência de mão de obra qualificada, mas não falta gente. Falta formação educacional. Vivemos um conflito. Temos poucos jovens nas universidades e os cursos técnicos ainda estão em processo de formação. Londrina precisa superar esse gargalo, tanto na rede municipal como estadual. E é importante as indústrias e o comércio qualificarem os profissionais, porque o sistema educacional não consegue fazer isso". (D.P.)





