O grupo Garibaldis & Sacis surgiu há mais de dez anos, como uma tentativa de "preparar" o público para o carnaval oficial de Curitiba. Segundo o maranhense Itaécio Rocha, 48 anos, um dos fundadores do bloco, o raciocínio foi o seguinte: "Se não tem carnaval, é porque não tem preparação. Não é uma coisa que simplesmente surge, então vamos preparar", conta.
O nome do bloco se deve ao trajeto que os foliões fazem nos dias de festa, que vai do Bar do Saci, próximo ao bebedouro que define o marco zero de Curitiba, até a Sociedade Garibaldi, em frente ao Relógio das Flores, no Largo da Ordem. Esse nome também expressa a democracia da festa, na qual brincam desde os mais rotos e desprovidos (os sacis), até membros da alta sociedade (os garibaldis).
Segundo Itaécio, a ideia inicial para o bloco surgiu por volta de 1996, quando ele promoveu em sua casa um grito de carnaval. Outra sócia-fundadora do grupo, a atriz argentina Olga Romero, 62, lembra do momento em que ele comentou que desejava organizar um bloco pré-carnavalesco. "Falamos por telefone e cinco minutos depois eu estava na casa dele", conta. Segundo eles, o grupo que começou com apenas 30 pessoas hoje reúne mais de mil. "A cada ano agrega mais gente", comemora Itaécio.
No início o cortejo seguia de forma improvisada, com alto-falantes dentro de carrinhos de supermercados, reboques e até cantoria em megafones. Desde o ano passado, os organizadores alugam um carro de som para animar a festa. Para arcar com essa despesa é feita uma "vaquinha", entre os colaboradores, que nem sempre conseguem arrecadar o valor necessário. "É uma zona, sempre alguém sai no prejuízo", diz Itaécio.
Apesar de afirmar que as coisas não surgem sem uma preparação prévia, ele reconhece que os eventos dos Garibaldis & Sacis fogem a essa regra. Não são feitas reuniões para definir quais serão os temas e os dias da festa, alguma comunicação pela internet e isso basta para que o evento se realize. As pessoas levam seus próprios instrumentos, preparam suas fantasias e, quem se sente responsável, ajuda a organizar. "Fora a ata inaugural (de 1998) não tem nenhum documento oficial", conta.
Ao longo desses dez anos de existência dos Garibaldis & Sacis, Olga Romero conta que já presenciou várias mudanças. "Gente que nem se mexia agora entra no bloco". Ela própria passou a assumir a identidade da "Condessa Sassiciana" nos dias de cortejo. Para Romero, a maior qualidade do grupo é que a alegria é espontânea, ninguém recebe nada por organizar a festa. "É de verdade e é de graça", salienta. (A.A.)

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