No Brasil uma das atividades que mais gera RCEs (Certificados de Redução de Emissão) é a produção de biogás em aterros sanitários e granjas de suínos. Como é obtido a partir da decomposição de materiais orgânicos bem comuns nas propriedades rurais (principalmente excrementos de suínos), o biogás é considerado uma fonte barata e renovável de energia, que resulta em economia para os produtores e diminui o impacto sobre o meio ambiente. Assim como o biodiesel, o biogás faz parte do Plano Nacional de Agroenergia.
Para produzir esse tipo de gás são utilizados sistemas de tratamento de resíduos orgânicos (biomassa) chamados biodigestores. São sistemas cobertos, nos quais a biomassa é decomposta por meio da anaerobiose (degradação por microorganismos na ausência de oxigênio) e transformada em gás. ''Como são cobertos, os biodigestores fazem o sequestro do metano que seria lançado na atmosfera e o converte em dióxido de carbono, que é 21 vezes menos poluente que o metano'', explica Aírton Kunz, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.
Todo o volume de gás apreendido, e que deixa de ser lançado na atmosfera, é quantificado e gera CREs. O que sobra dessa biomassa, segundo Kunz, são basicamente resíduos líquidos, que podem ser usados como biofertilizantes, mediante acompanhamento agronômico.
Para o pesquisador, o biogás pode auxiliar nas atividades agropecuárias como gerador de energia elétrica, térmica e mecânica, reduzindo os custos na propriedade rural. ''O biogás tem maior concentração de impurezas que o gás natural, isso reduz o rendimento, mas não compromete no processo'', esclarece.
Kunz salienta que, embora simples e rústico, o funcionamento adequado dos biodigestores depende do manejo correto do sistema. ''Para garantir a eficiência de um projeto, precisamos seguir técnicas adequadas de controle do processo de biodigestão'', alerta. Ele orienta que os produtores interessados em implantar o sistema devem procuram a orientação de órgãos estaduais ligados à agricultura, no caso do Paraná, Embrapa, Emater e Iapar.

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