Uma planta de dentes serrilhados passa a crescer descontroladamente e a devorar as pessoas, levando pânico a uma pequena cidade dos Estados Unidos. Batizada de Audrey, ela é a personagem principal de "A Pequena Loja de Horrores", uma comédia musical estrelada por Rick Moranis e o impagável Steve Martin. A produção, de 1986, popularizou a Dioanea muscípula – e, assim como filmes de Tarzan e alguns dramas hollywoodianos, passou a alimentar a imaginação popular em torno de uma espécie muito particular da flora: as plantas carnívoras.
A imaginação foi tanta que, há alguns anos, um "fato" no mínimo insólito, publicado na internet, provocou alvoroço no Pará: na zona rural de Santarém, um vereador foi atacado por uma planta carnívora. Na base da foice, funcionários da fazenda trucidaram-na antes que engolisse definitivamente o patrão, que, além de sérios prejuízos físicos, teria perdido, olhem só, a aliança de casamento – uma coincidência realmente cinematográfica.
Pelo que se tem notícia, o máximo que as plantas carnívoras conseguem capturar são pequenos pássaros, lagartos e roedores – ainda assim, no Sudeste asiático, onde vivem as maiores delas. No Brasil, se contentam com insetos, formigas e aranhas de pequeno porte.

Imagem ilustrativa da imagem BIODIVERSIDADE - Brasil abriga 120 espécies de plantas carnívoras
Biólogo londrinense: número de plantas carnívoras no Paraná deve crescer



Em números
Em todo o planeta, existem aproximadamente 750 espécies de plantas carnívoras, que pertencem a 20 gêneros de 13 famílias. No Brasil, há cerca de 120 espécies, de nove gêneros e sete famílias. No ranking mundial, o Brasil perde apenas da Austrália, onde vivem mais de 200 espécies. O Paraná abriga, oficialmente, 25 espécies de cinco gêneros e quatro famílias. O número de espécies paranaenses, porém, vai mudar substancialmente ainda este ano.
O habitat das plantas carnívoras exige três características principais: solos pobres em nutrientes, sol pleno e água abundante. Ocorrem basicamente em vegetações campestres: estepes (campos), savanas (cerrados), restingas, várzeas e campos de altitude.
Os pré requisitos para uma planta ser considerada carnívora são: a capacidade de atrair, capturar, matar e digerir a presa. E, por fim, utilizar os nutrientes dela: como vivem em solos pobres, é das presas que as plantas extraem o nitrogênio e o fósforo de que precisam para sobreviver. As armadilhas são sempre as folhas, geralmente aéreas. As espécies que possuem folhas subterrâneas e subaquáticas se alimentam também de protozoários e bactérias – algumas, até de pequenos peixes.

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De maneira geral, as plantas carnívoras atraem a vítima pelo estômago. Refletem raios ultravioletas e exalam odores: as cores vívidas e a suposta presença de néctar (algumas verdadeiramente o possuem) são um chamariz irresistível para formigas, pernilongos, moscas, besouros. Atraídos pela beleza e pelo alimento, os insetos acabam escorregando na cera do alçapão.
Na tentativa desesperada de escapar, em vão, pela parede escorregadia, morrem por cansaço. Ou por afogamento, no caso das plantas que possuem jarros com líquido dentro, como as sarracênias. As que possuem tentáculos – como as droseras, que ilustram a capa deste suplemento – prendem os animais por um muco gosmento. A digestão se dá por glândulas que produzem enzimas digestivas ou, quando não há enzimas, por fungos e bactérias que decompõem a presa e dão, de graça, os nutrientes às plantas.

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