Há sete anos, o combate à criminilidade no calçadão da Rua XV de Novembro ganhou um aliado digital: 14 câmeras que monitoram 24 horas por dia a movimentação de pessoas em uma extensão de 700 metros, entre as Praças Santos Andrade e Osório. Segundo o tenente Márcio Roberto da Silveira, da Polícia Militar (PM), desde que foram instalados estes equipamentos o crime caiu bastante nesta área.
Mas não são só atos ilícitos que os policiais encarregados da vigilância digital presenciam na central de monitoramento. O sargento Alberto Ribeiro, um dos cinco PMs capacitados para operar estes equipamentos, conta que já presenciou muitas cenas cômicas através das câmeras.
''Às vezes a gente descobre coisas que não é pra descobrir'', brinca ele, ao comentar os flagrantes de pessoas conhecidas em situações desabonadoras e muitas vezes confidenciais. Em outras ocasiões, o elemento cômico fica por conta de tombos e outras videocassetadas diárias. ''As pessoas questionam a invasão de privacidade, mas não tem nada a ver'', argumenta o tenente, apontando que todos os locais monitorados são públicos.
O controle das câmeras é feito em uma sala localizada ao lado de um posto da Guarda Municipal, na Praça Osório. O policial encarregado desta tarefa tem a sua frente seis pequenos monitores onde aparecem imagens simultâneas de vários pontos da XV. Em outra tela maior, é possível manobrar a câmera que escolher, girá-la 360 graus e mirar a lente em quase todos os ângulos possíveis. A qualidade da imagem surpreende pela nitidez e pelo controle automático do foco, que consegue ampliar uma cena centenas de vezes. As câmeras que ficam em esquinas conseguem visualizar até mesmo as ruas transversais.
Dentre as situações que exigem a intervenção das autoridades, as mais comuns são brigas e atos obscenos, geralmente praticados à noite, nas Praças Santos Andrade e Osório. ''Os casais se empolgam, esquecem que estão em local público e que estão sendo monitorados'', explica o tenente. Outra fato corriqueiro são crianças que se perdem dos pais no calçadão. Com as câmeras fica fácil localizar os menores e encaminhá-los de volta aos responsáveis.
Mesmo com tantos cuidados, nem todos se sentem mais seguros. Há dez anos tocando uma banca de revistas no calçadão da Rua XV, Angela Maria afirma que continua presenciando a ação de criminosos. Seu estabelecimento fica bem embaixo de uma câmera. ''Acho que bandido não liga muito para isso'', sugere.
O tenente Márcio não concorda com Angela. Segundo ele, desde que foram instalados os equipamentos de vigilância, a ocorrência de furtos na área monitorada caiu a zero. ''Mas dentro das lojas não temos como impedir'', salienta. No entanto, mesmo nestes casos as câmeras ajudam. O dono de algum estabelecimento comercial que foi arrombado, por exemplo, pode pedir - através de um ofício - as gravações anteriores, para tentar identificar os bandidos.
Apesar da modernidade dos equipamentos, que utilizam cabos de fibra ótica, as imagens são armazenadas em fitas VHS. O material fica arquivado por 5 anos, depois é destruído.

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