Bichos mimados, problemas à vista
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sábado, 01 de agosto de 2009
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A relação entre homens e animais é secular, mas o vínculo afetivo - e até mesmo sentimental -, no qual os bichos são tratados como se fossem um membro da família, é relativamente recente. Se por muito tempo os animais foram usados basicamente como auxílio nas atividades domésticas e no campo, hoje não é difícil encontrar aqueles que fazem parte da rotina da família, moram dentro de casa, comem da mesma comida e, segundo seus donos, têm até 'personalidade'.
Apesar de os proprietários terem certeza de que estão dando o melhor aos seus bichos de estimação, a médica veterinária Eliane Palaoro Pereira alerta que certas atitudes podem afetar diretamente a saúde mental dos animais. ''Quando perguntamos para as pessoas o que representa o bichinho para elas, em quase 100% das respostas eles são considerados filhos. Mas os bichos não são filhos. Quando começamos a humanizá-los, estamos transformando-os em pequenos 'monstrinhos' neuróticos,'' observa.
Ela destaca que depois que o animal cruzou a porta da casa passou a ser tratado como 'gente' e os donos acabaram se submetendo às vontades deles. ''Anos atrás os animais viviam fora de casa. Com o tempo, passaram para a área de serviço. Depois, foram para cozinha e logo em seguida para os quartos. Hoje, já estão em cima da cama do dono. Enquanto eles estavam no quintal eram tratados como animais. Isso causa uma enorme confusão na cabeça deles.''
Para exemplificar, Eliane completa: ''Não estou dizendo que o animal não pode subir na cama ou no sofá. Mas só podem fazer isso quando o dono permitir. Isso seria como um merecimento, um prêmio pelo bom comportamento. Se o dono faz isso quando o animal chora, por exemplo, está premiando o mau comportamento. Dentro de casa, o dono tem que ser o líder, se impor; jamais o bicho pode mandar. O que chega de dono bem adestrado no consultório, não é brincadeira.''
Com esse tratamento humanizado, de acordo com ela, vários especialistas estão sendo procurados para resolver problemas de comportamento dos animais. ''Os animais estão apresentando alguns desvios de comportamento, como agressividade em relação a alguns membros da família, ansiedade de separação nos momentos em que estão sozinhos, acabam ficando neuróticos. Além disso, estão apresentando várias dermatites por lambedura constante. Por este e outros motivos, os bichinhos estão tomando medicações homeopáticas e até mesmo alopáticas, como antidepressivos'', afirma.
O maior problema, segundo a veterinária, não está no animal, mas no dono. ''O homem é egoísta, e acima de tudo pensa em sua própria comodidade. Muitos não pensam se o animal vai ficar sozinho o dia todo, se não vai sair para correr. Mais do que amor, os animais precisam de atividade física. Os donos acreditam que só dando carinho o bicho vai estar satisfeito. A primeira coisa a se dar a um bichinho é exercício, depois vem a disciplina e em terceiro lugar o amor. O animal para estar equilibrado precisa de exercício. Cachorro cansado é cachorro feliz'', decreta.


