De acordo com Airton Marques, Chefe do Setor de Braille, a Biblioteca Pública do Paraná propõe que o usuário escolha o livro e solicite ao departamento que faça o livro falado. É preciso escanear página por página para que um programa de voz sintetizada transforme em livro falado. Processo trabalhoso, que requer um voluntário para fazer correção dos textos e leva três dias para finalizar a versão em áudio."Estamos na contramão das editoras. Se elas nos enviassem o conteúdo digitalizado em arquivo de texto, simplificaria o acesso para a pessoa cega. O universitário não pode esperar um mês pelo livro. Assim encurtamos o caminho, é uma forma da biblioteca suprir essa falta para a pessoa cega", acredita.
A produção "caseira" do Setor Braille já acumula mais de 500 livros falados - o setor só produz livros de literatura e para fins acadêmicos -, como Mar Morto, de Jorge Amado, Feliz Ano Novo, de Rubens Fonseca, Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte, Pior que a Morte, de Daniel Hecht, Contos de Animais Fantásticos, de Mitsue Morissawa, e Um Mundo Sem Fim, de Ken Follett. "A Lei da Acessibilidade não pega porque ninguém é penalizado por não cumpri-la. É uma lei morta. Aqui mesmo na biblioteca não existe acessibilidade nos banheiros e no auditório. Sinaleiro sonoro só tem um na Rua 15", critica.
Ainda assim, para Marques, muito já avançou em 20 anos. Há remédios com escrita Braille, cardápios e embalagens de cosméticos e chocolates. "Tem coisa mais frustrante do que você estar morrendo de vontade de tomar uma cerveja e quando abre a latinha bebe refrigerante. Para nós as latas são todas iguais, os fabricantes poderiam diferenciá-las", desabafa. "A Internet trouxe uma libertação para a pessoa cega, nesse sentido. Podemos ler praticamente qualquer conteúdo, basta ter um leitor de voz, como o DOS-VOX, e acessamos a informação. Mas nunca vamos dispensar o Braille", concluiu ele.

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