Curitiba - O presidente do PSDB do Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, não usa meias palavras ao afirmar que ‘‘Beto Richa é mais do que um nome local. Hoje ele é um líder nacional e importante do partido’’. Mas, ninguém do PSDB fala abertamente que Beto deixará a prefeitura na metade do mandato para concorrer ao governo em 2010. Rossoni disse à reportagem que, na corrida para o Iguaçu, a sigla terá o que se chama de ‘‘Frente Beto Richa’’. Mas a questão parece unânime no bastidor tucano e entre seus apoiadores.
  Porém, o mesmo credenciamento que Beto recebeu nas urnas pode funcionar como armadilha. Apesar de jovem, o tucano aparece como um sucessor natural na liderança daquele que é um dos dois grandes grupos políticos, que vêm se alternando no Palácio Iguaçu nas duas últimas décadas. O prefeito é um rosto novo, mas pode representar continuísmo. Por trás do nome dele, há gente bem conhecida da política regional. Mas Rossoni insiste que Beto representa ‘‘a renovação natural da política’’ e nega a continuidade da oposição entre dois grupos. ‘‘A polarização é página virada na política paranaense’’, afirma o presidente do PSDB paranaense.
  Nacionalmente, ter o nome de Beto Richa como um dos líderes do partido e decretar o ‘‘fim da polarização’’ equivale a dizer que o Paraná cresce em importância política. Deixa a pecha de Estado provinciano marcado pela briga entre o ‘‘grupo de Requião e o grupo do Lerner’’. Resta saber se na prática o cenário de diversidade político-eleitoral vai se consolidar até 2010.
  Este último, mesmo afastado da política, não deixa de ser lembrado como referência e consultado. Não a toa, o ex-prefeito e ex-governador Jaime Lerner agora é colunista de uma revista nacional online. A coluna estreou justamente com uma advertência e conselhos aos prefeitos recém-eleitos. (B.M.)

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