Berinjela à moda italiana
Katia Michelle Pires
Equipe da Folha
Ela não é uma unanimidade. Mas, mesmo quem não gosta do seu sabor, pode render-se às diversas maneiras de preparar - e consumir - a berinjela. É o caso do chefe italiano Andrea Balsani. Ele viu no legume, que confessa não apreciar, o desafio para criar um prato que agradasse a paladares diversificados. O resultado foi a quase unânime "Melanzana Sorrentina" ou a berinjela à moda italiana, uma entrada que está no cardápio da recém-inaugurada pizzaria Dom Carmino e que chama a atenção por "esconder" o sabor do legume, que nem todos gostam.
A receita é um prato típico de Roma, cidade Natal de Balsani, e foi modificada por ele de acordo com o próprio gosto. "É um prato simples e prático", ensina. O legume é empanado com ovos e farinha e depois levado ao forno com bastante queijo. "Até as crianças gostam", considera o chef. Há quatro anos, no Brasil, ele foi convidado para gerenciar e montar o cardápio do Dom Carmino. Não foi por acaso. Com vasta experiência na área, Balsani herdou do pai o gosto pela culinária. Na Itália, além de ter crescido entre panelas e ingredientes típicos e ter uma formação autodidata, fez vários cursos de especialização.
Para aprender ainda mais, seguiu para Califórnia, onde incrementou o currículo como chefe. Questionado sobre o que o trouxe ao Brasil e a Curitiba, ele é categórico: "Uma curitibana", brinca. Mas, como não gostou do clima da cidade, a princípio, há dois anos, montou uma pizzaria, na Bahia, mas consegue gerenciá-la à distância. Por enquanto, ele e a família (que acaba de aumentar) ainda ficam na capital paranaense.
E no restaurante que ele assumiu, pode se sentir em casa. Batizado com o nome do primeiro pizzaiolo de Nápoles que imigrou para o Brasil, o Armazém Dom Carmino é especializado em pizzas e oferece 33 sabores diferentes. Os sabores passeiam por sugestões clássicas e especialidades da tradicional Braz Pizza Paulistana (com a devida autorização do estabelecimento paulista), até criações do chefe italiano responsável pela formatação de um cardápio, que também inclui opções de entradas e sobremesas: como a berinjela e um peculiar salame de chocolate para encerrar a refeição.
Instalada em um casarão histórico, construído em 1906, e que serviu como sede do armazém da família Darif, a pizzaria ganhou dois ambientes, após a reforma assinada pelo arquiteto Laércio Licheski. O porão da casa ganhou ar intimista e uma decoração que inclui quadros com objetos recolhidos do próprio casarão durante o processo de restauração. Enfim, um local em que é possível resgatar sabores italianos tradicionais sem sair do território curitibano.





