Fabricantes de berços e colchões terão, obrigatoriamente, que se adequar às regulamentações do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) a fim de obter certificação e selo para comercializar seus produtos ainda em 2013. Do contrário, estão impedidos de colocá-los no mercado, sujeitos às penalidades previstas em lei. As discussões estão avançando para que os estofados sejam os próximos da lista.
As medidas foram tomadas depois que várias denúncias foram feitas em relação à qualidade dos produtos que eram vendidos. Diante disso, dezenas de testes foram realizados pelo órgão que reprovou todas as 11 marcas de colchões analisadas. Foram analisados comprimento, largura, espessura e resistência. Sem fiscalização, para chegar ao peso mínimo da espuma, colchões eram vendidos com outros materiais como pneus picados e papelão. Com evidências de que os produtos trariam danos à saúde do consumidor, pois a certificação até então era voluntária, os berços também entraram neste rol.
A portaria do Inmetro estabelece a obrigatoriedade da aplicação dos requisitos de segurança para os berços quanto aos materiais utilizados na fabricação dos produtos, às dimensões, aos espaçamentos entre as grades e à estabilidade da peça. O objetivo é prevenir acidentes e garantir a segurança de bebês e crianças. A partir de junho de 2014, os lojistas só poderão vender berços certificados.
De acordo com Júlio Rodrigues, consultor do Sebrae de Arapongas, várias empresas do polo moveleiro da cidade estão em processo adiantado de mudanças. ‘‘Entretanto, algumas estão iniciando suas reformulações, pois desconheciam as novas normas. Nossa equipe, portanto, está divulgando e orientando sobre os requisitos necessários para certificação que será obrigatória este ano. Cada segmento (indústria, distribuição e varejo) terá um prazo, mas todos devem se adequar em 2013.’’
Segundo o consultor, houve uma certa resistência de alguns empresários no início, mas agora perceberam que se abriu um novo nicho de mercado. ‘‘A norma leva a um mercado mais maduro e qualificado’’, acrescenta.
Desde o ano passado, a empresa Qmovi está preparando as mudanças necessárias para colocar seu novo berço no mercado. Segundo o gerente administrativo Éverson Borges, já foram realizadas auditorias no sistema de fabricação e o próximo passo é ajustar o produto, cujo protótipo foi para mais uma avaliação na última semana.
Além das medidas, ele ressalta que houve troca de materiais, principalmente no sistema de fixação. ‘‘Antes era usada uma parafusagem simples. Agora, é obrigatória uma porca com travas seguras para que não haja rompimento da madeira no caso de ser desmontado várias vezes. Todas essas reformulações encareceram o produto em, pelo menos, 20%, que deverá ser repassado ao consumidor final. Mas, certamente, o berço ganhou muito mais qualidade.’’
A empresa Prorelax, de Mandaguari, iniciou as modificações e está prestes a receber a certificação final dos seus colchões. Conforme o gerente industrial, Marcelo da Silva Generoso, foram investidas novas tecnologias e treinamento na equipe para o novo produto a ser comercializado.
Atento às novidades e tecnologias para a melhoria do produto, Marcos Tudino, diretor da fábrica de estofados Combinare, explica que a discussão está no âmbito da densidade da espuma e dimensões do assento. ‘‘Isso para que não aconteça o que chamam de ‘fadiga primária’. Se a densidade for muito baixa, haverá um conforto imediato, mas uma fadiga muito rápida. Com isso, a assistência virá na sequência. Um produto melhor tem uma durabilidade maior e, consequentemente, traz benefícios à saúde do consumidor.’’ A empresa já fabrica estofados com a densidade mínima e as dimensões exigidas pelo Inmetro há 20 anos.

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