Na UEL foram plantadas as primeiras sementes de uma cultura até então pouco difundida na cidade, e que pode garantir a continuidade do seu crescimento: o desenvolvimento tecnológico. Iniciativas como a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica e a Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (Intuel) – mais tarde incorporada à Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec) – ajudaram a abrir as portas para um caminho diferente daquele até então trilhado por aqui, baseado na exploração agrícola. Em 15 anos de atividades, 24 empresas já foram graduadas na agência, sendo que atualmente outras 22 estão em fase de incubação.
  ‘‘O papel da universidade no desenvolvimento regional, nas áreas econômica, industrial e de serviços, é inegável, acima de tudo pela formação de recursos humanos. Os profissionais que a universidade forma estão aí, atuando na cidade, interagindo com as empresas, atentos ao que há de bom lá fora e trazendo para cá. Porque também para detectar boas tecnologias é preciso estar preparado’’, afirma o professor Ivan Frederico Lupiano Dias, do Departamento de Física, que acaba de lançar o livro ‘‘Contribuições para o Desenvolvimento Tecnológico de Londrina’’. A obra reúne textos escritos ao longo dos últimos anos e aborda temas como o desenvolvimento local, a relação universidade-indústria e o papel da universidade no desenvolvimento da cidade.
  De acordo com o professor, porém, o foco da UEL nem sempre esteve voltado para a tecnologia, ao contrário de outras instituições criadas na mesma época, como a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Aqui, a orientação inicial se deu para áreas ligadas a Ciências da Saúde, Biológicas e Humanas, em função da chamada ‘‘vocação agrária’’ do interior do Paraná.
  ‘‘As engenharias tecnológicas concentraram-se, há muito tempo, na Capital do Estado, que hoje tem um parque industrial de primeiro mundo’’, observa Dias, para constatar, a seguir, que este cenário está mudando com a implantação de vários cursos voltados ao desenvolvimento e à inovação tecnológica, pelas diversas instituições de ensino da cidade. Só na UEL, estão em processo de implantação três novos cursos de engenharia (Mecânica, Química e de Produção), que devem ser ofertados a partir do vestibular de 2014.
  ‘‘O fator conhecimento é o que gera novas tecnologias e novos produtos. Sempre existiu a apropriação do conhecimento gerado nas universidades pela indústria e pelos governos, mas isso ficou mais evidente e acelerado nos últimos anos, tanto que explodiu pelo mundo a criação de polos tecnológicos. Países como Japão e China criaram redes de universidades focadas no desenvolvimento tecnológico, em determinadas cidades, garantindo o seu crescimento no setor’’, ressalta o físico.

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