Berço da mobilização
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A zona oeste é o berço da mobilização popular de Londrina. Foi ali, em 1968, que surgiu a primeira associação de moradores da cidade, a Sociedade dos Amigos do Jardim Bandeirantes, Vila Industrial e Bairros Circunvizinhos (Sabbi). E, até hoje, a região possui entidades comunitárias cujas ações se tornam referência para outros bairros.
A própria Sabbi é um exemplo dessa mobilização. Com uma área de influência que abrange uma população de aproximadamente 20 mil habitantes, as eleições para definir a presidência da associação lembram pleitos municipais na última votação, foram cerca de 1,5 mil eleitores.
Foi após muita reivindicação dos moradores que o poder público promoveu várias melhorias no Jardim Bandeirantes nos últimos anos: recuperação do asfalto de ruas e avenidas, mudanças na sinalização de trânsito, construção do ginásio de esportes do bairro, reforma do posto de saúde local e de um centro de convivência dos idosos.
O resultado mais recente da mobilização da comunidade é a reconstrução da ponte que liga o Bandeirantes ao Jardim Sabará, destruída por uma chuva forte no ano passado. A obra só foi iniciada pela prefeitura após muita pressão da Sabbi e da associação dos moradores do bairro vizinho. A presença da associação desperta a mobilização dos moradores, observa o comerciante Roberto Gonzaga de Oliveira Coelho, atual presidente da Sabbi.
No Jardim Shangri-Lá A, também na zona oeste, o trabalho comunitário contra a violência foi tão bem-sucedido que passou a ser replicado em outros bairros de Londrina. A nutricionista Gabriela Fontoura, presidente da Associação dos Amigos do Shangri-Lá A, conta que a comunidade sofria com vários problemas: prostituição, tráfico de drogas, arrombamentos, roubos e furtos. Preocupados, os moradores se reuniram para discutir providências em julho de 2010.
Dali, surgiram várias iniciativas como a implantação do Vizinho Solidário (troca de informações para prevenir crimes, quando há alguém estranho circulando pela região, por exemplo), um sistema de videovigia e alarme e o fechamento das vielas do bairro, feito no melhor espírito comunitário os moradores reivindicaram à prefeitura as grades do Bosque Central, que haviam sido retiradas, e o cimento e o arame farpado foram custeados por empresários locais.
Outras mudanças foram feitas pelo poder público, como a recuperação de praças e a poda de árvores. A comunicação com a Polícia Militar também melhorou, já que a troca de informações permite uma atuação mais pontual da corporação. A associação foi convidada a apresentar o modelo em outros 33 bairros de Londrina. E está participando da reestruturação do Conselho de Segurança da cidade, que terá o Vizinho Solidário como um dos seus pilares.
Não vou dizer que os problemas acabaram, mas a situação melhorou de 90% a 95%, define Gabriela.


