Em entrevista coletiva para repercutir a eleição do cardeal Joseph Ratzinger como novo Papa, o arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, disse que chamá-lo de conservador é uma simplificação ''bastante dolorosa'', e definiu-o como um homem ''suave, liberto e competentíssimo''. Para dom Albano que reuniu-se com Ratzinger pela última vez em 2002 o religioso alemão não vai conseguir resolver sozinho os problemas mais 'espinhosos' para a Igreja, como homossexualismo, aborto, pesquisas com células tronco e o celibato para mulheres, entre outros. Por isso, o arcebispo acredita que já está na hora de se pensar em um novo Concílio Vaticano.
O último Concílio reunião mundial de bispos para elaborar os caminhos da Igreja foi realizado em 1941 e durou até 1945, resultando em 16 decretos. ''Temos uma base bastante sólida, que vem guiando a Igreja nos últimos 50 anos, mas um novo Concílio se faz cada vez mais necessário, como forma de procurarmos ajustes à nova realidade.'' Para dom Albano, não dá para admitir insegurança em relação à moral cristã. ''A verdade da ciência e a verdade da teologia não podem ser contraditórias'', afirmou, referindo-se a um dos grandes conflitos do homem ao longo da história.
Quanto à inevitável comparação de Bento XVI com João Paulo II, o arcebispo disse não acreditar que um será uma cópia do outro. ''Em certo sentido, no campo intelectual, Bento XVI é superior a João Paulo II.'' Dom Albano disse ainda que o ''capítulo do papa viajante'' parece ter se encerrado. ''Eu diria que Bento XVI será conservador quando for preciso, progressista quando necessário e liberto diante dos fatos'', reforçou. Apesar dos elogios, ele revelou, ao final da entrevista, que gostaria que ''o nosso irmão negro pudesse ter aparecido na janela do Vaticano para dizer ao mundo que Deus não tem cor, que as questões de pele não significam nada'', referindo-se ao cardeal nigeriano Francis Arinze).
O diretor de Estudos do Instituto Paulo VI, monsenhor Antonio Luiz Catelan Ferreira, um estudioso da vida e obra de Joseph Ratzinger, também acredita nas diferenças entre os dois papados. ''O novo Papa deverá trabalhar em duas grandes frentes: a da clareza de doutrina e o incentivo à espiritualidade. O cardeal Ratzinger propõe, em seus artigos, a espiritualidade profunda, que chama de 'amizade com Jesus'. Esta é a proposta que faz para os católicos.''
O monsenhor também lembrou que o cardeal vinha se pronunciando muito sobre a necessidade de padronização da liturgia pelo mundo. ''Trata-se de um teólogo extraordinário, que deverá dar continuidade ao trabalho de João Paulo II, mas com uma tendência teológica um pouco distinta, voltada mais para os temas internos e desafios da Igreja no momento do que para as questões sociais'', disse, revelando-se um ''eleitor de carteirinha'', de Ratzinger.

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