BENDITAS SECRETÁRIAS! - Se elas não existissem, o que seria das organizações?
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sábado, 29 de setembro de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Elas são indispensáveis, uma ''mão na roda'' e, para muitos chefes, definitivamente merecem ir para o céu. Alvo de homenagens desde os tempos da Revolução Industrial, quando Lilian Sholes se tornou a primeira mulher a datilografar em público, têm um dia todo para si: 30 de setembro, Dia das Secretárias.
Dos tempos da máquina de escrever a este domingo, as secretárias são, mais do que o braço-direito, a espinha dorsal de muitas empresas e companhias: simpatia, atenção, postura e muito jogo de cintura incluem-se no rol de apresentações e requisitos. Neste 30 de setembro, a reportagem da FOLHA buscou definir os perfis mais em moda das secretárias modernas.
A anfitriã
Acostumada a ouvir a típica frase ''o que seria de mim sem ela?'', no ambiente de trabalho, Manoela Armanhi, 21 anos, faz, há dois anos, as vezes de anfitriã, secretária e ''pauteira'' oficial de sua chefe, em uma escola de modelos de Londrina. ''Fiz estágio em um banco e a irmã da minha atual chefe me indicou. Jamais imaginei que fosse trabalhar em uma agência de modelos'', conta.
No dia em que a reportagem da FOLHA conversou com Manoela, a moçoila fazia jus às apresentações. Com ela não há tempo ruim: anotou recados, atendeu ligações e retornou e-mails. ''Gosto demais do que faço. Como minha chefe viaja muito, nos falamos direto pela internet, seja por e-mail ou programas de mensagens. Lido diretamente com alunos e pais de alunos, além dos modelos, e estou sempre ligada à rede'', revela.
Acadêmica do último ano de Jornalismo, Manoela administra, com olhos de lince, a agenda de sua chefe. ''Marco compromissos, aulas, essa parte de agendamento também fica toda sob meus cuidados'', afirma a bela morena que, apesar dos predicados e da altura - 1,75 m -, prefere ficar na retaguarda a se lançar também como modelo.
Sem ter definida ainda a área na qual pretende trilhar caminho no Jornalismo, de uma coisa Manoela já sabe: deixar o trabalho como secretária, nem pensar! ''É uma via de mão dupla, só tenho benefícios: com as ferramentas da comunicação, relaciono-me com as pessoas e acabo tomando conhecimento de tudo o que acontece por aqui. Como secretária, há a parte prática. Após me formar, pretendo conciliar as duas coisas'', entrega.
A executiva
Graduada em Secretariado Executivo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Aparecida Fabri, 37 anos, acumula 15 de experiência na área. No atual emprego, em uma indústria de fechaduras e cadeados, são cinco anos e meio.
''Daquela época para os tempos atuais, muitas coisas mudaram. Sou do tempo da máquina de datilografia e do telex (risos). A chegada do fax, do computador, do e-mail, da internet, do MSN, do palm, do blackberry, do pendrive, entre tantas outras novidades, mostrou que precisamos sempre estar atualizadas e antenadas com essas mudanças. Aliás, quantas mudanças!'
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Ressaltada por sua eficiência no ambiente de trabalho, Maria Aparecida, que é tida como a ''faz-tudo'', 24 horas disponível, soube se moldar às novas tendências e anseios. ''No início, fiquei assustada. É necessário caminharmos na mesma direção de nossos executivos. Não podemos parar de nos atualizar quanto a tudo e a todos: um profissional moderno deve sempre estar aberto às novas tecnologias''.
A receita para encarar o trabalho das 7 da manhã às 19h? ''Gostar daquilo que faz e saber administrar as situações de trabalho e pessoais. Costumo dizer que um profissional competente não é aquele que sempre carrega o piano sozinho e, sim, aquele que ajuda a construir o piano. Agora, para ser um faz-tudo, importante é também carregar celular, palm e demais aparatos tecnológicos. Ah, claro: e muitas doses de bom-humor''.
A apaziguadora
Agência de modelos, indústria, empresa de comunicação... Efetivamente, em se tratando de um negócio que envolva fluxo de pessoas e um contratante com a agenda recheada à enésima potência, a secretária é um bem mais do que essencial.
Em um colégio, então, a profissão ganha ainda mais partidários.
Secretária há sete anos e meio em uma instituição de ensino da cidade, Elaine Cristina Pereira Leite, 34 anos, anota recados, atende, ao mês, mais de 500 ligações e converte-se na ''apaziguadora oficial'' de ânimos. ''Da educação infantil ao ensino médio, trato de todos os assuntos e dúvidas que cercam os pais em relação a seus filhos. É bem puxado, mas tudo me realiza'', afirma, munida de seu fone e microfone, entre uma chamada e outra.
Aos 25 anos, Margareth Maria de Souza pôde experimentar as benesses da promoção graças à desenvoltura e ao traquejo. ''Fiz entrevista para começar na cantina, dias depois o RH avaliou que eu me encaixava no perfil de recepcionista. Fui contratada. Meses depois, veio a promoção'', cita, ao se referir ao posto de secretária do Ensino Médio, que ocupa há dez meses.
Coordenadora do Ensino Médio, no mesmo Colégio, Cássia Gimenes Barcaro só tem elogios à comandada. ''A Margareth é o perfil da secretária dos tempos atuais: ela toma nota da agenda do dia, tem noções de informática e de nosso sistema e sabe, na minha ausência, conduzir as situações da melhor forma, para o melhor desfecho. Muitas vezes basta um olhar meu e nos entendemos''.
Como característica principal de Margareth, a coordenadora cita a busca pelo aprendizado. ''Ela sempre demonstra interesse em aprender mais e mais e não é monossilábica, fala bastante e isso é mais do que válido''.
A sublinhar o interesse de Margareth, novidades vêm aí. ''Atualmente faço cursinho. Minha intenção é cursar Relações Públicas ou Marketing e, claro, sempre me destacar e crescer dentro da empresa''.
A administradora
Secretária do Departamento Comercial da FOLHA - setor responsável pela comercialização da publicidade do jornal -, Rafaela Tramontin, 26 anos, administra a rotina de checar e-mails, atender ligações - são mais de 100 ao dia - receber e enviar fax e (ufa!) assessorar a equipe de 11 vendedores e a diretoria do departamento, dos mais pulsantes no expediente diário da FOLHA.
Diante dos (até) oito ramais que atende, Rafaela, que é formada em Secretariado Executivo pela UEL, mantém o espírito de liderança que desenvolveu na faculdade. ''Ao mesmo tempo em que somos líderes, com pulso firme, temos de ser gentis, nos dar bem com todos e preservar o sigilo. Como lidamos com informações, nós, secretárias, temos de primar pela discrição: o que é comentado jamais pode sair de dentro da empresa''.
A discrição, aliás, é outro dos selos distintivos de Rafaela. ''Tomo cuidado com o tom de voz e com a apresentação pessoal também. Opto pelos terninhos, pela camisa branca... Decote, barriga de fora, calça muito apertada, nem pensar! A secretária não pode se sobressair em relação ao serviço prestado'', sustenta.
Em relação às evoluções, em plena era das ''secretárias cibernéticas'', Rafaela, que se formou há dois anos e há quatro meses integra o quadro da FOLHA, acena positivamente. ''Hoje, o trabalho das secretárias começou a ser valorizado. Não cuidamos somente da agenda ou servimos um café, o conceito é mais amplo: criamos ferramentas que facilitam a gestão da empresa'', conclui.


