Vizinho do Centro, o Alto da XV conquista moradores por causa da localização privilegiada mas também pela qualidade dos serviços à disposição no próprio bairro, que é como uma pequena cidade dentro da Capital. Com uma área de 1,5 mil quilômetros quadrados, o Alto da Rua XV (nome oficial), é delimitado pela Avenida Nossa Senhora da Luz, as Ruas Itupava e Sete de Setembro, até a Rua Ubaldino do Amaral. E é na Avenida Nossa Senhora da Luz, do ''alto'' da Rua XV de Novembro, que pode-se observar, de um mirante na Praça das Nações, toda a região.
A relativa tranquilidade do local no que se refere à segurança, permite que em espaços como o Jardim Ambiental, uma praça linear cercada por casas e condomínios, a zootecnista aposentada Deborah França, de 65 anos, encontre as vizinhas pela manhã, para conversar sentada no banco sob as copas das árvores. ''Aqui tem tudo perto, é um lugar tranquilo. Tem ônibus, bancos, supermercados, shopping, restaurantes e hospitais'', enumera Deborah, que já morou no Centro e prefere o Alto da XV por causa da menor quantidade de pedintes pelas ruas. ''E temos o barulho do 'mar' também, o 'mardito' trem'', brinca a moradora.
O barulho também é a única queixa da dona de casa Lenita Guimarães Bastos, de 70 anos. ''Tinha que ter uma cancela que não permitisse a passagem e dispensasse esse apito infernal às 5h30 da manhã'', sugere. Já para Adalci de França Fuck, de 71 anos, moradora do Alto da XV há 20 anos, o que incomoda é o aumento recente do tráfego de veículos pesados pela região. ''Isso não foi muito bom, eles fazem muito barulho'', observa.
O músico Edimilson de Oliveira Freitas, de 41 anos, também gosta da tranquilidade do bairro. E desde que Freitas se mudou para lá há sete anos, a sensação de segurança aumentou, segundo o morador. ''Tinha assaltos a lotéricas e abordagens nas ruas há uns quatro anos. Hoje eu chego em casa de madrugada todo dia e nunca vejo nada'', justifica.
Moradora do Alto da XV há 20 anos, Lilian Soares, de 47 anos, viu ali uma oportunidade de negócio e há um ano e meio ela abriu um café, perto do shopping do bairro. Com a expansão do setor de serviços nas últimas décadas, o Alto da XV tornou-se um local propício a quem quer investir, avalia Lilian. ''Continua sendo residencial mas agora é um comércio só. Vem gente de outros bairros pra cá. Evoluiu bastante. Não tinha quase nada por aqui. E eu conto muito com o pessoal que trabalha aqui também'', explica a comerciante.
Lilian aponta a variedade de restaurantes e bares como um dos atrativos do bairro. ''As pessoas vêm muito pra cá por causa disso, tem todos os tipos de comida: chinesa, japonesa, massas, pizzas'', observa. ''Quando começa a esquentar é um bom lugar para tomar uma cerveja no final da tarde, ao ar livre, depois do trabalho'', completa.
Mas antes da oportunidade comercial, o que mantém Lilian no Alto da XV é a qualidade de vida. ''Aqui é muito bom para morar. Eu considero um dos melhores bairros. Por isso não consegui sair daqui até hoje. As pessoas que moram aqui ficam com dó de ter que sair''.

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