Bem cuidado?
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segunda-feira, 21 de maio de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Encontrar vaga para estacionar em determinados pontos de Curitiba não é tarefa das mais fáceis. E quando o motorista encontra uma, a probabilidade dela estar ''acompanhada'' de um flanelinha beira os 100%. ''Eles estão por toda a parte, não dão sossego'', reclama o aposentado Alceu Cardoso. ''Eu acho mais seguro quando encontro um'', defende a empresária Maria Alice Costa.
As duas opiniões contraditórias dão a exata dimensão da divergência que existe em torno da atividade, que é a única fonte de renda para Antônio José Caetano. Nas ruas há dois anos, ele faz parte do grupo de 78 flanelinhas do Boqueirão que trabalham uniformizados e cadastrados, numa parceria entre o Conselho de Segurança (Conseg) do bairro e a Polícia Militar (PM). ''Para mim, esse cadastramento foi um ótimo benefício. Você ganha mais respeito dos motoristas, além de ficar conhecido pelos comerciantes que trabalham aqui'', avalia.
A implantação ocorreu em 2005, quando foi constatado pelo Conseg um grande número de arrombamentos nos carros. ''Apesar de haver muitos cuidadores, isso não refletia em segurança, já que você não sabia quem cuidava do seu carro, não havia um compromisso deles'', relembra a presidente do conselho, Suérli Aparecida NuÀez.
O requisito principal para ser um flanelinha no bairro, segundo Suérli, é não ter antecedentes criminais. ''Não pode responder a nenhum processo ou ter dívidas com a Justiça, caso contrário não aceitamos'', explica. Após o cadastramento, foram confeccionados crachás - que levam o nome, número de registro e área de atuação do guardador, além dos coletes verdes de identificação, todos patrocinados por comerciantes locais.
Segundo Cleberson Ferreira, cadastrado no local há cerca de um ano, a exigência tirou das ruas os guardadores que ''manchavam'' o trabalho da maioria. ''Antes tinha cara que trabalhava bêbado, gente que xingava motorista, que arrumava confusão se não recebesse nada, ameaçavam. Agora melhorou bastante'', atesta.
Para o analista de sistemas Marlon Volz, a novidade trouxe mais segurança para os motoristas. ''Você sempre fica naquele receio de não dar um dinheiro e a pessoa riscar o carro na hora, ou marcar a placa e quando você voltar ao local ele riscar. Então essas medidas trazem mais segurança para gente, já que dá para identificar quem se comprometeu a olhar seu carro'', avalia.
Para os flanelinhas, a confiança também cresceu. ''Quando existe algum problema, eles nos procuram para saber o que fazer, como quando existe alguém querendo tomar o ponto dele, por exemplo. Isso traz segurança pro guardador também'', avalia Suérli.
Na esteira dos bons resultados apresentados no Boqueirão e baseado também numa iniciativa aplicada em Goiás - onde os cuidadores acumulam as funções de olheiros da PM e dão dicas de turismo para visitantes, um projeto da Assembléia Legislativa do Paraná propõe o cadastramento de todos os guardadores de carros de Curitiba e cidades do estado que tenham mais de 200 mil habitantes. Para o deputado Ney Leprevost (PP), autor do projeto, ao tirar os flanelinhas da informalidade, eles podem auxiliar a polícia a diminuir o número de furtos e roubos de veículos, principalmente no Centro de Curitiba. ''Hoje as pessoas ficam assustadas, não sabem se estão sendo abordadas por um flanelinha ou um ladrão. Isso resolve a questão, aliviando as pessoas do constrangimento e conferindo aos cuidadores de carros uma confiança maior'', aposta.
Segundo Leprevost, o projeto é de indicação - o que não obriga a implantação como o de lei, sendo apenas uma idéia. Na semana passada, a matéria foi aprovada em plenário, que agora espera da parte da polícia um andamento à sugestão. ''A expectativa é boa, já que a PM trabalha com ações preventivas, como esta'', avalia.
Para a presidente do Conseg Boqueirão, é ótimo que a proposta seja levada aos outros pontos da cidade e também do Paraná. ''É uma medida simples que criamos, deu certo e hoje presidentes de outros Consegs nos procuram, para implantar em seus bairros. Ficamos felizes em ver essa iniciativa em toda Curitiba'', comemora Suérli.


