Não basta produzir bem, é preciso ter qualidade para que a carne chegue ao consumidor com alto valor agregado. Esta é a mensagem que os criadores de bovinos querem passar na 53ª edição da ExpoLondrina. Dezessete raças e milhares de animais estão expostos no Parque de Exposições Ney Braga e, claro, sempre com novidades e animais cobiçados. Este ano, as raças inglesas como Hereford e Angus e seus respectivos cruzamentos - Braford e Brangus - estão entre os destaques pela beleza e melhoramento genético. Além disso, o Guzerá retornou ao evento depois de cinco anos. Já o Nelore, como sempre, ocupa o maior número de pavilhões com animais de alto potencial para cruzamentos.

O diretor de pecuária da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Afrânio Brandão, explica que animais como Nelore e Guzerá são importantes porque trazem "a rusticidade" que muitas vezes não é encontrada nas raças europeias . "O Guzerá é uma raça com maior resistência ao calor, suportam pouca alimentação e passaram por uma evolução muito grande nos últimos anos. Já o Nelore é fundamental para o País, tem uma qualidade genética fantástica e é importantíssimo para os cruzamentos com os animais europeus. Graças a esta genética, hoje conseguimos criar animais resistentes e com uma carne de extrema qualidade e suculência", explica ele.

Brandão relembra da evolução do rebanho na ExpoLondrina e no País de forma geral. Há 30 anos, um touro nelore era apresentado aos compradores com 700 kg e sete anos de idade. Hoje, a idade máxima para a venda é de três anos, sendo que com um ano e meio ele já atingiu este peso. "Os criadores procuram a precocidade para o abate, aliado à melhoria da qualidade da carne. Em relação a preços, depende muito da época e do leilão. Já tivemos "boom" de diversas raças, mas esta questão também oscila bastante", relata ele.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Guzerá (ABCG), Antonio Pitangui Salvo, explica que os criadores voltaram a se interessar pela raça devido a sua dupla aptidão, tanto para a produção de carne como leite. "No cruzamento industrial com raças europeias produtoras de carne o resultado é excelente. O mesmo acontece com as raças europeias leiteiras".

No caso das raças europeias, principalmente as inglesas, a movimentação também é interessante na Expo. O sócio proprietário da Rural Business Leilões, Elton Baccarin, explica que esta valorização acontece porque o País passa por um processo de modernização na qualidade da carne. "As raças britânicas como Angus e Hereford e seus cruzamentos Brangus e Braford estão atendendo esta demanda. "

A valorização acontece de forma substancial porque os programas de qualidade de carne das associações das raças e as alianças mercadológicas criadas por eles com os produtores conseguem elevar o preço do produto final. "Todos têm trabalhado com intensa dedicação em relação ao melhoramento genético. Grandes restaurantes e redes de fast food têm aderido a estes produtos".

Élton Baccarin, da Rural Business Leilões, ressalta ainda que o Paraná tem um lugar de destaque nesta produção de carne de qualidade e que Londrina está voltando a ser polo de cruzamentos industriais. Além disso, os valores da arroba do boi no Estado são os maiores comparados a outras localidades da Região Centro-Sul.

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