Beleza por um fio
As primeiras facas não passavam de lâminas de pedra grosseiras que nossos ancestrais utilizavam para abater os inimigos, cortar e descascar frutas ou tirar a pele de uma caça. A era das cavernas ficou para traz e aquela que foi uma das primeiras ferramentas e armas do ser humano, evoluiu muito em tecnologia. Mas as facas continuam sendo acessórios indispensáveis para o homem moderno. Para alguns, são mais do que isso: viram objeto de coleção e estudo.
Colecionar facas é um hobbie muito desenvolvido nos Estados Unidos e Europa. Apenas nos EUA, existem três grandes revistas que tratam exclusivamente do assunto (Tactical Knives, Knives Illustred e Blade), além de outras publicações e dezenas de páginas na Internet, além de dezenas do marcas. No Brasil, a atividade tem um mercado emergente em São Paulo, onde existem clubes e várias lojas especializadas que vendem produtos importados. Alguns brasileiros também vem ganhando destaque internacional na cutelaria, como é chamado o ofício de fabricar facas. Entre os mais conceituados do país, estão Zakharov, Bob G, Paz e Pazini e Padilha.
Por outro lado, em Curitiba esta mania está dando os primeiros passos. Mas já podem ser encontrados alguns entusiastas do assunto e recentemente foi inaugurada uma loja exclusivamente dedicada às facas e canivetes, a Messers, que também funciona como um ponto de encontro informal dos admiradores da cutelaria. O aumento do interesse também pôde ser medido na Feira do Paraná, exposição agropecuária encerrada no final de semana passado. Os três estandes que expunham facas na feira, entre eles o da Messers, receberam muitas visitas.
Muitas pessoas estão se interessando, apesar de ainda não termos na cidade um mercado movimentado como o de São Paulo, confirma o proprietário da Messers, o engenheiro e também colecionador de facas Irineu Burda. Segundo Burda, a loja começou a ser montada há dois anos, mas no início os únicos clientes eram os amigos que também se interessavam pelo assunto. Para o público em geral, a Messers abriu as portas para o público há cerca de dois meses.
Dono de uma coleção dedicada aos modelos difíceis - facas de marcas ou modelos raros - Irineu Burda aposta num desenvolvimento do hobbie. As facas causam uma atração muito grande. Talvez por serem as ferramentas mais antigas que o homem inventou e sempre terem feito parte da nossa vida, diz ele, que também pratica a cutelaria como hobbie.
Na tentativa de explicar a relação entre o homem e a faca, o empresário argentino Guillermo Ramirez, que tem uma das maiores coleções da cidade e é proprietário de uma loja especializada em São Paulo, a Hunter Supplies, viaja até o passado. É algo que tem a ver com o íntimo do homem, com o imaginário e a origem da civilização desde a pré-história, defende. A faca está ligada a qualidades que sempre foram cultivadas pelo homem: coragem, capacidade de enfrentar desafios e habilidade.
Já o médico Luciano Werner, dono de uma coleção composta pelas chamadas facas comerciais - aquelas que ainda são produzidas e, por isso, mais fáceis de serem encontradas - destaca que alguns modelos têm muitas histórias para serem descobertas. Existem facas que são interessantes pelo que representam. As tipo Bowie, por exemplo, marcaram época nos tempos do Velho Oeste. Outras ficaram famosas nos campos de batalha, como a Ka-Bar, que foram usadas pelos Fuzileiros Navais norte-americanos na 2ª Guerra Mundial, e a Randall e a Mark II, utilizadas no Vietnan.





