Ter ''diferencial'' é uma estratégia muito comum hoje em dia, quando o assunto é se destacar da concorrência no mercado. Desde o setor de serviços até o ramo do comércio tal busca tornou-se uma obsessão. E na área da beleza, a válvula de escape dos empresários tem sido agregar serviços característicos de clínicas de estética dentro dos salões de cabeleireiros, que buscam crescer ou mesmo ter um diferencial diante da concorrência. Para isso, a nova tendência tem sido agregar desde os próprios esteticistas, fisioterapeutas, massoterapeutas, podólogas e até os especialistas em medicina estética.
''Eu faço as unhas, bronzeamento, limpeza de pele, hidratação e escova. A vantagem de ter em um só espaço, um salão de beleza com serviços das clínicas de estética é que você faz tudo de uma vez. Ao invés de ir em dois lugares, você vai em um apenas'', explica Fernanda Serafin, empresária do setor alimentício em Londrina.
Ela, que há três anos se mudou de Marília para Londrina, também acredita que cuidar da aparência, além de ser uma vaidade, também melhora o ânimo. ''O ego da pessoa vai lá em cima'', salienta. ''O salão de beleza ainda passa por uma mudança de conceitos. Ele vem de uma era onde só tratava de cabelo e manicure. Como essa agregação de outros especialistas em beleza, e com o mercado aumentando, os salões hoje precisam aglutinar outros prestadores de serviços na área da beleza'', afirma o cabeleireiro Lincoln Tramontini.
Membro do Intercoffeure Mondial, órgão internacional que define os rumos da moda composto por 2,5 mil renomados profissionais do mundo todo, ele acredita que o aumento da demanda e a praticidade são os aliados do novo panorama dos salões de beleza. ''Para mim, há dois tipos bem distintos: um que ainda está focado nas áreas de cabelos e manicure, considerados os médios e pequenos salões. E os outros, com espaços físicos maiores que conseguem agregar mais profissionais. E daqui para frente, a tendência é que se transformem em grandes clínicas de beleza e estética'', considera Tramontini.
Em Londrina, a franquia de um conceituado salão paulista é pioneira em agregar as atividades das clínicas de estética no tradicional cabeleireiro. Segundo Rose Souza, gerente da unidade, tal característica é oriunda do primeiro salão formado por um casal francês composto por um cabeleireiro e uma esteticista erradicados no Brasil. A proposta de trabalho deles era pautado por três conceitos básicos: salões mais amplos, exigência do uniforme branco e subdivisão das atividades dos profissionais. ''O profissional cabeleireiro atua somente na parte de cabelos e maquiagem. Manicure, só faz depilação, pé e mão. Esteticista, só estética, limpeza de pele e massagem corporal'', detalha Rose.
Para Fernanda, dentre os tratamentos disponíveis no salão a hidratação com argila é o dono de sua preferência. ''Não tem em lugar nenhum, é só lá'', pontua. ''Cada sessão custa em torno de R$ 150'', conta ela que também costuma gastar cerca de R$ 300 por mês com beleza.
Segundo Rose, o relaxamento é um dos serviços que está em alta. ''A procura hoje pelo bem-estar é grande. Fazemos a terapia das pedras quentes, shiatsu, massagem havaiana, drenagem linfática e de pós-operatório para cirurgias plásticas'', detalha.
Modernidade
Para Tramontini, diferenciar os serviços por meio de treinamentos e investimentos em tecnologia para os salões é fundamental para se destacar e, em alguns casos, se manter no mercado. ''O salão moderno hoje é aquele que tem profissionais na área de cabelo extremamente antenados. Porque se a cliente tem informação, o cabeleireiro tem que ter muito mais. É um esforço que deve ser muito maior''", acredita. Há alguns meses, ele investiu em cadeiras modernas que massageiam o cliente enquanto lava os cabelos para oferecer mais conforto ao cliente.
Para estar entre os profissionais que ganham destaque atualmente no mercado, ele sublinha que é fundamental agregar competências e qualificações específicas. ''É importante que uma manicure não faça apenas a unha e tire a cutícula, mas que trabalhe de uma maneira artística, que faça desenhos, que faça alongamentos e coloque unhas postiças. É preciso um designer de sombrancelhas que saiba desenhar de acordo com as formas do rosto'', complementa Tramontini.
O próximo passo da tecnologia agora é agregar um centro de medicina estética dentro dos habituais espaços de beleza e oferecer um atendimento ainda mais completo. ''Uma curiosidade são os fisioterapeutas que trabalham com estética. Como eles conhecem de fisiologia e enxergam o corpo de uma maneira holística, sabem muito bem aplicar uma força em determinada região do corpo. Também sabem fazer um pós-operatório de cirurgia plástica, e claro, como têm mais anos de estudo, vai saber uma análise muito mais completa'', conta Tramontini.

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