Bate coração
A tecnologia sempre andou lado a lado com a medicina. Antigamente os BIPs localizavam o médico da família onde ele estivesse. Com o tempo, o celular facilitou a comunicação. Hoje o avanço tecnológico permite algo além: a monitoração cardiológica transtelefônica. Esteja onde estiver, o paciente consegue ter seus batimentos cardíacos examinados por um médico numa ação que pode salvar sua vida.
A tecnologia 100% londrinense foi desenvolvida pela Telcor Telemedicina do Coração por iniciativa do cardiologista Antônio Nechar Júnior. Membro do Conselho Nacional de Telemedicina e Telesaúde da Universidade de São Paulo (USP) e apaixonado pelo que faz, Nechar trouxe o primeiro aparelho que possibilita o funcionamento desse sistema dos Estados Unidos, em 2001. De lá pra cá, o médico se associou a um engenheiro de telecomunicações e a uma equipe de programadores que criaram um sistema e uma logística que possibilita o atendimento a pacientes de todo o País.
A telemedicina ainda está nascendo no Brasil, mas o desenho do projeto como um todo é para país pobre e grande como o nosso. Para se ter uma ideia, estamos no Sul, mas dependendo da região onde o paciente estiver pode não ter cardiologista para atendê-lo. Quem está na frente do atendimento geralmente fica num postinho 24 horas e é um clínico geral, não um especialista. Esse colega precisa de um apoio e o telcorsensor possibilita isso, explica o médico.
O sistema é indicado a portadores de arritimias cardíacas, com sintomas aleatórios que precisam ser monitorados. Também para os que já foram ressuscitados de morte súbita e que precisam de um controle bastante rígido das arritmias porque, segundo Nechar, são potencialmente fatais.
O paciente adquire um telcorsensor, um aparelho que cabe na palma da mão e que conta com um chip que capta a eletricidade cardíaca e transforma num sinal sonoro. Independente de onde estiver, quando a pessoa achar que está se sentindo mal, pode ligar de qualquer telefone para uma central de atendimento 24 horas que decodifica o som transformando os barulhos num eletrocardiograma.
O paciente pode estar em qualquer lugar, pode ser no meio da selva amazônica, é só haver um telefone. Então ele aproxima o aparelho no tórax e aguarda 40 segundos. Esse som chega à central que o decodifica em gráficos pelo software e disponibiliza o laudo na internet. O médico, lá onde ele estiver, entra na internet, visualiza o exame e se for uma emergência notificamos imediatamente, explica.
Apesar do aparelho ter origem norte-americana e já existir em países da Europa e no Japão, a logística diferenciada de atendimento só existe por aqui. Além da criação do software, a empresa londrinense conseguiu ampliar e expandir a tecnologia que hoje está disseminada por todo o Brasil.
Emocionado ao se recordar dos inúmeros casos que já vivenciou com pacientes que puderam ser socorridos a tempo, o médico - que apesar de não ter nascido em Londrina se considera um verdadeiro pé-vermelho -, destaca a importância da nova tecnologia na abreviação do tempo ao atendimento de uma pessoa.
Ao identificar o caso de um paciente, comunicamos o hospital e o colega de lá fica esperando a pessoa com desfibrilador, drogas específicas e todo um ambiente específico para atendê-lo. O tempo na cardiologia é vida, quanto mais tempo o paciente perde menos chance tem, finaliza. (F.B.)





