Surpresa foi o que sentiu Joaquim da Silva, em recente viagem a Londrina. Com hábitos mais do que saudáveis, o empresário não é fumante, não toma bebidas alcoólicas e também não está acima do peso. Contudo, ficou à beira de um infarto. A solução foi enfrentar uma cirurgia do coração, feita com circulação extracorpórea. Acompanhe aqui o desenrolar desse drama, que pode ocorrer com qualquer um

O economista e empresário Joaquim da Silva, 61 anos, é um pé-vermelho. Nasceu em Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio), cidade de 6,5 mil habitantes. Com 17 anos se mudou, com a família, para Londrina. Em 1978, foi morar em Campinas (SP), onde reside até hoje e comanda uma fábrica de massas para pizzas. É casado com Irma Mulari da Silva e pai de dois filhos, Ricardo, 30, e Róbson, 35.
Pelas contas de Joaquim, já faz 15 anos que ele procura ter uma vida saudável, cuidando principalmente da alimentação e adotando o hábito de caminhadas diárias de 6 km. Não é fumante, não toma bebidas alcoólicas e também não está acima do peso. Hábitos que arrancam aplausos de qualquer cardiologista.
Por isso, foi uma grande surpresa quando sentiu uma dor, como se o peito estivesse se abrindo, durante uma caminhada na esteira, em sua casa. O empresário imaginou que a dor pudesse ser apenas uma queixa do coração, devido ao ritmo acelerado da esteira. Então, resolveu trocar a máquina pela rua, mas voltou a sentir o incômodo. Tudo isso aconteceu na quinta-feira que antecedeu o feriadão de carnaval.
Na sexta-feira, Joaquim não sentiu nenhuma dor. Estava confirmada a viagem que ele havia planejado ao Norte do Paraná para visitar parentes. No roteiro, Sertaneja e Londrina. Depois de passar o sábado quase todo na estrada, dormiu em sua cidade natal e, no domingo, veio visitar uma irmã em Londrina.
No retorno para Sertaneja, as dores que sentiu três dias antes voltaram. E, dessa vez, pra valer. Antes de chegar a Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), Joaquim precisou parar o carro três vezes. O que ele sentia é, segundo os médicos, uma das piores dores que um homem pode sentir. É o pedido de socorro de um coração que está à beira de um infarto.
Em Sertanópolis, Joaquim recebeu remédios para combater a dor e orientações para procurar um cardiologista. Sob o efeito de medicamentos, seguiu viagem. Na segunda-feira, às 23h, quando mais uma vez a intensa dor voltou, o empresário estava em Sertaneja. Às pressas, seguiu para Londrina, mais especificamente para o Hospital do Coração. Da sala de emergência para a hemodinâmica. Seria necessário fazer um cateterismo.
O cateterismo, ou cineangiocoronariografia, é um exame todo especial. Pela artéria radial, esta que temos no braço, o hemodinamicista introduz um cateter bem fininho, que vai até o coração. Pelo cateter, o médico injeta um contraste radiopaco, que penetra nas coronárias. Trata-se de um exame de imagem, feito com Raio X. Com as coronárias cheias de contraste, é possível ver se, em algum ponto, há lesão nessas artérias.
No caso de Joaquim, os pontos de entupimento eram quatro. Estava descoberto o motivo de tanta dor no peito. O coração do empresário precisava de irrigação. Um problema grave, que poderia ser resolvido com cirurgia.
Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Coração, com a cirurgia já agendada, encontramos Joaquim. Simpático, de boa conversa, com a esposa e o filho Ricardo ao seu lado, ele contou da surpresa que teve ao sentir as dores no peito e saber que teria de passar por uma cirurgia cardíaca.
Mesmo com a fala mansa, Joaquim não conseguia esconder a ansiedade. Dali a algumas horas estaria no centro cirúrgico para ser operado. ''Acho que minha família está mais preocupada que eu'', disfarçou Joaquim. ''A ansiedade é muito grande, mas vai correr tudo bem'', completou a mulher do empresário.

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