Batavo, a quarta no ranking, ganha com produção em escala
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sábado, 24 de maio de 1997
Guto Rocha 
de Londrina
O grande desafio imposto às empresas pelo Plano Real é conseguir chegar ao mercado com produtos de qualidade e com preços competitivos, porque temos de enfrentar concorrência com produtos importados de países que subsidiam a produção. A afirmação é de Dick Carlos de Geus, presidente da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda (CCLPL) - que comercializa a marca Batavo.
A saída encontrada pela CCLPL, segundo o empresário, foi o aumento da escala de produção para reduzir os custos. No ano passado, a Cooperativa Central incorporou a Cooperativa Central Agromilk, composta por nove unidades, com sede em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina. Geus afirma que, com a incorporação das cooperativas catarinenses, a produção de leite da CCLPL dobrou, passando de 500 mil litros/dias para 1.000 litros/dia, durante a safra.
A incorporção já teve reflexos nos resultados da CCLPL, que para este ano projeta um crescimento de 32% em seu faturamento. Segundo Geus, a cooperativa encerrou 96 com um faturamento de R$ 390 milhões, e este ano deve alcançar os R$ 515 milhões. Nos quatro primeiros meses deste ano já faturamos R$ 153 milhões, afirma Geus.
O presidente da CCLPL diz que agora a cooperativa busca parceria com empresas interessadas em injetar recursos financeiros para a expanção da Batavo. Geus afirma que o Mercosul abre essa possibilidade de parceria com empresas de países que fazem parte do bloco e que já atuam no setor alimentício. Preferimos alavancar recursos com empresas interessadas em parcerias do que no mercado financeiro, por causa dos altos custos. Além disso, em uma parceria deste tipo há mais sinergia, comenta.
A marca Batavo está em quarto lugar no ranking nacional na produção de leite e derivados. A linha de sobremesas lácteas produzida pela CCLPL participa com a fatia de 12% do mercado nacional. Vivemos num mercado de grandes e temos consciência que temos de crescer mais para sobreviver, afirma. A CCLPL tem uma linha de 300 produtos entre leite e derivados, frango inteiro e cortes especiais e suínos industrializados (embutidos). O setor lácteo responde por 75% do faturamento da CCLPL, o frango fica com 12% e os produtos de carne suína representam 13% dos resultados da cooperativa. A participação no mercado interno se restringe aos produtos à base de carne suína e frango. Exportamos entre 3,5% e 4% da produção para Japão, Hong Kong, Itália e Alemanha, observa.
Geus afirma que o Plano Real ainda não contemplou a agricultura brasileira. Ainda falta o estabelecimento de uma política agrícola definitiva que dê condições para o setor planejar melhor seu desenvolvimento, comenta. Com vantagem, ele destaca a desoneração do ICMS na exportações de produtos primários. Mas o Custo Brasil ainda limita muito o crescimento do mercado. No caso do setor alimentício, o custo chega a 28%, enquanto nos Estados Unidos, fica em 7%, compara.
Para o presidente da CCLPL, o governo também deveria adotar uma política de juros compatíveis ao mercado internacional. Poderíamos nos transformar em grande exportadores de produtos industrializados, e não só ficarmos limitados à exportação de commodities, diz. Geus diz ainda que o governo precisa se posicionar com mais firmeza frente à Organização Mundial do Comércio. Somos um gigante adormecido, precisamos mudar esta postura passiva, comenta.


