Batalhando na melhor idade
Curitiba - Carmen Costa, 50 anos, diz logo de pronto, sem hesitar. Eu sou prostituta. É a palavra que ela prefere para descrever o ofício o qual exerceu durante 27 anos. Desde 1994, porém, já não tem tanto tempo para trabalhar nas ruas. No dia 18 de maio daquele ano fundou o Grupo Liberdade, que defende os direitos das mulheres de programa. Pensei em muitas coisas: na epidemia da Aids, na falta de um lugar de apoio e orientação. Em relação à ausência de alguém para recorrer, ela havia sentido isso na pele pouco antes, em 1992, quando estava grávida pela segunda vez o que foi sua motivação maior para abrir a ONG.
O grupo conta com uma equipe de seis pessoas, entre elas uma educadora e uma assistente social. Depois de Boca de gamela e Meninas na prevenção, a ONG está iniciando o projeto Batalhando na melhor idade, que visa trabalhar a auto-estima das mulheres de programa com mais de 40 anos. Segundo levantamento da ONG em 2005, das 30 mil mulheres que trabalham com prostituição em Curitiba, 45% delas têm mais de 40 anos. Elas começam a se sentir um trapo velho, a se descuidar. Em muitos casos, deixam de se preocupar com a Aids, achando que, se não pegaram até agora, não vão pegar mais, diz. Hoje, uma senhora faz um; quando muito, dois programas por dia. Elas não têm outra opção (de trabalho) e começam a se sentir como coitadinhas. Além disso, o número de clientes diminuiu e o número de prostitutas nas ruas aumentou. (R.U.)





