Barreirinha convive com a Rádio Corneta
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quinta-feira, 29 de março de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Os moradores do bairro Barreirinha convivem com as informações diárias da conhecida Rádio Corneta há mais de 20 anos. Do alto da Paróquia Santa Gema Galgani, os megafones alastram as notícias de utilidade pública num raio de dois quilômetros. Por volta das 17 horas, o pároco lê as principais notas (desaparecimentos de crianças, perdas de documentos, vagas de emprego), avisos (falecimentos, velórios, batismos) e informes religiosos. Mas a convivência entre a Igreja e os moradores ficou estremecida no ano passado quando o Ministério Público (MP) estadual, provocado por um morador do Barreirinha, resolveu intervir e calar a voz soada pela Rádio Corneta.
No final do ano passado, a sentença: o padre Leocádio Zytkowski foi julgado e condenado a pagar as custas processuais no valor de R$ 10 mil, R$ 600 de multa por dia em que a rádio funcionar e outros R$ 700 por perder o processo. Eu fazia os noticiários há cinco anos, quando assumi a paróquia. Não tenho como pagar os valores das multas e da condenação. Os advogados estão recorrendo. Mas eu tenho voto de pobreza e não recebo salário. A ação foi pessoal. Contra mim. A Igreja e a rádio existem aqui há muitos anos. Eu estou de passagem por aqui. Vai vir outro e a rádio vai continuar, disse o padre Leocádio. Mesmo perdendo na Justiça sob os protestos da população local que chegou a levar faixas no dia do julgamento pedindo o funcionamento da rádio , padre Leocádio decidiu que iria regularizar o funcionamento dos informes.
Agora, ele tem em mãos autorização do Corpo de Bombeiros, Secretaria Municipal de Urbanismo e Secretaria Municipal do Meio Ambiente para operar. A Rádio Corneta ficou três meses em silêncio por decisão judicial. Agora, padre Leocádio volta a fazer seus informes com respaldo legal. Na semana passada, ele usou os microfones pela primeira vez após a condenação na 9ªVara Cível de Curitiba. Chamei o povo para fazer confissões. Uma preparação para a Páscoa. Desenferrujei a garganta, brincou. Os informes são quase todos de utilidade pública (90%). Gosto de dar informações sobre crianças desaparecidas e vagas de emprego porque auxilia a população. Fiquei surpreso quando fui multado, notificado e tive a corneta embargada.
Leocádio contou que quando falou na rádio, a população saiu de suas casas. Quem estava na rua, parava para ouvir a rádio. O telefone não parava. Todo mundo estava alegre por voltar a Rádio Corneta. São apenas 15 minutos por dia que ela funciona e agrada a todos. Essa para mim é a vitória do povo.
O pároco já está fazendo com a comunidade cartões de agradecimento as autoridades municipais que facilitar a concessão do alvará de funcionamento. A Rádio Corneta é ouvida no Barreirinha e em bairros como Abranches e Santa Cândida. O som chega bem. Mas se a pessoa não quer ouvir, pode fechar a janela ou ligar a TV. O som fica abafado. É como uma kombi do sonho que vai passando pelo bairro e vendendo seus produtos. Não incomoda ninguém. Apenas alerta aos que estão interessados nas mensagens propagadas, ponderou.


