Baristas!
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
''Quem manda me ensinar bem, hein?'', comenta Lilian Machado para o seu professor, o barista e campeão brasileiro Otavio Linhares, 30. A jovem de 22 anos, nascida em Batayporã (MS), sagrou-se bicampeã paranaense no último domingo ganhando o título justamente em cima de seu mestre, que ficou com o segundo lugar. ''Ano passado ele não estava disputando. Não achava que ia ganhar dele.'' Ambos trabalham no Lucca Cafés Especiais do Batel, em Curitiba, que foi a primeira cafeteria do País a torrar seus próprios cafés.
O 5º Campeonato Regional de Baristas - etapa Paraná - reuniu 12 competidores, de sexta-feira a domingo, no piso dos cinemas do Shopping Mueller. Na sexta, foi a primeira eliminatória, que definiu os seis finalistas. No sábado, a vez do Cup Tasters, uma disputa paralela que abriu inscrições para amadores e profissionais.
''Tínhamos sete fileiras, cada uma delas com três expressos. O objetivo era descobrir qual de cada uma era o diferente, que não era da mesma fazenda de origem que os outros dois'', explica Simoni Yamaguty, 34, a proprietária do Exprèx Caffè. Ela acertou cinco de oito. ''Eles misturaram bons cafés com outros de baixa qualidade. No final, minha língua estava com gosto de borracha. Preciso treinar mais'', completa.
Simoni também participou da competição entre os profissionais e ficou com o sexto lugar. Ela comenta que, entre os baristas, os cafés de baixa qualidade levam o apelido de '''água de batata''.
A competição com os seis finalistas foi realizada domingo. Cada um deles tinha 45 minutos para sua apresentação. Quinze para preparar sua cozinha - com exceção da máquina, todo o restante deveria ser levado pelo participante, que trazia os grãos torrados a serem moídos durante a competição. Quinze minutos para fazer quatro expressos, quatro cappuccinos italianos (café e leite vaporizado) e quatro doses de um drink de assinatura. Além de outros 15 minutos para organizar o espaço.
Clodoaldo Gusmão, vencedor do título de 2006 e representando uma empresa de produtos para café, foi o último a se apresentar.
Estava nervoso. Ao microfone, explicava aos quatro juízes sensoriais - responsáveis por avaliar o sabor dos cafés - sobre o tipo e a fazenda de origem de seus grãos. Enquanto isso, dois jurados técnicos observavam o tempo, que não deve exceder 30®MDBO¯ ®MDNM¯segundos no momento da extração do café. Fez um drink de assinatura gelado, com um expresso, damasco, sorvete e água de coco.®MDBO¯ ®MDNM¯Ultrapassou em quatro segundos o tempo de apresentação. Quatro pontos a menos na contagem final. Gusmão levou o 5º lugar para casa.®MDBO¯ ®MDNM¯
''É impressionante como melhorou a qualidade dos cafés e a técnica dos baristas paranaenses'', comenta Reinaldo Bongiovanni, 43, que foi jurado em todas as cinco competições realizadas no Estado. Sua empresa, a Blend Express, há 12 anos no mercado, forneceu a máquina, que custa R$ 16 mil, e patrocinou o evento.
Sobre o café feito pela campeã Lilian, ele não poupa empolgação. ''Surpreendente. Muito bom e complexo. São todos elos de uma corrente. Depende da qualidade do café, da blendagem (mistura de grãos), da técnica do barista e da harmonização entre doçura, amargor e acidez.''
Lilian, que fez seu primeiro café expresso há dois anos, ganhou como prêmio a viagem para o campeonato brasileiro, que será disputado em dezembro, em São Paulo. No nacional, os quatro primeiros na etapa regional têm lugar garantido. ''Vive La Fête'', seu drink de assinatura, foi feito com uma base de caldo de flor de laranjeira, um expresso (30 ml), cobertura de creme de leite fresco, chocolate branco sabor laranja e crocante de macadâmia.
Ela tinha definido voltar para sua cidade natal no Mato Grosso do Sul ao final do ano, de onde saiu para estudar Hotelaria em Curitiba. Agora, ficou em dúvida. ''Já não sei mais. Gosto muito de café.''


