‘‘Existem parques temáticos, com muitos equipamentos e atrações. São construções caras, que implicam num grande investimento, e que muitas vezes não dão o retorno esperado. O nosso conceito é diferente. Nós adotamos o sistema de parques contemplativos. O principal objetivo é preservar o ambiente. Tudo é preparado de uma maneira que a população possa usar o local para o lazer e também preservar a área’’.
É dessa forma que Sérgio Tocchio, diretor do Departamento de Parques e Praças da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), define os parques que começaram a ser implantados em Curitiba na década de 1970. Em nome desse conceito, a Prefeitura estuda adotar algumas medidas para preservar o ‘‘espírito original’’ do Parque Barigüi, o mais conhecido da cidade.
Para começar, o parque de diversões deve ser retirado do local. ‘‘A tendência é ele sair de lá. O parque de diversões já não combina com o Barigüi. O que as pessoas pedem hoje é outro tipo de estrutura. Elas querem equipamentos para se exercitar, para manter o bem estar físico’’, explica Tocchio.
Outra medida deve ser a limitação do trabalho de ambulantes. ‘‘Hoje, há mais ou menos uns 40 deles trabalhando no Barigüi cadastrados junto à Secretaria de Urbanismo. Eles vieram ao longo dos anos e a política deve ser a de, assim que vencerem as permissões, não renovar’’, afirma o diretor.
A respeito das lanchonetes, Tocchio aponta que em todos os parques de Curitiba devem ser tomadas medidas relativas aos estabelecimentos que tenham o perfil de ‘‘barzinho’’. ‘‘Eles criam conflito com os usuários, devido à música alta, àquela concentração, às vezes o sujeito está bebendo, provoca uma mulher que passa... Já tivemos reclamações. Ao mesmo tempo, é interessante ter num parque uma casa de chá, por exemplo. Estudamos não renovar as permissões ou solicitar uma mudança de perfil’’, explica.
Uma restrição já foi regulamentada, relata Tocchio. ‘‘Muitas empresas, de olho no público que freqüenta o Barigüi, querem fazer ali trabalho de divulgação. Nós cortamos porque a função do parque não é essa. Como há uma pressão, queremos determinar um local no parque para eventos de utilidade pública, mas isso é o máximo que pretendemos conceder’’, diz o diretor.
A respeito das construções no Barigüi, Tocchio salienta que não serão permitidas novas edificações no local e as que já existem não poderão ser expandidas. ‘‘Atualmente, existem o restaurante, o salão de atos, o pavilhão de exposições, a Casa dos Passarinhos e o Museu do Automóvel, sendo que os dois últimos são anteriores ao parque. Procuramos evitar propostas de aumentar qualquer construção. Porque senão ficaria aquela coisa, aumenta um pouquinho hoje, um pouquinho amanhã...’’
O diretor explica que já houve pressões de expositores para aumentar o pavilhão de exposições. ‘‘Mas fechamos questão em cima disso. O pavilhão vive em função do parque, e não o contrário. Não podemos abrir concessões’’, argumenta Tocchio.
Em tempo: em nome da segurança, os famosos jacarés do Barigüi devem ser retirados do parque. ‘‘Há um recinto no zoológico preparado para eles. Há uma equipe (de funcionários do zoológico e terceirizados) observando os hábitos dos jacarés para definir como vai ser o processo. Não há prazos para essa retirada’’, descreve o diretor.

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