Bares dominavam a rua Araguaia
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sábado, 17 de julho de 2004
Fernando Rocha Faro<BR>Reportagem Local 
Uma das principais vias da Vila Nova, a Rua Araguaia é hoje um dos mais fortes endereços comerciais do bairro. Tradicionalmente, a região destacava-se por reunir dezenas de comerciantes de um tipo de estabelecimento em especial: os bares. Alguns deles, inaugurados nas primeiras décadas da história de Londrina. Um exemplo é o Bar Viação, inaugurado em 1946, na própria Araguaia, como armazém de secos e molhados.
''Aqui em volta era tudo roça. No comércio, a gente vendia de tudo, até arroz e feijão'', conta Antonio Favareto, 75 anos, da família pioneira do estabelecimento e ainda hoje proprietário do prédio. Há seis anos e meio, o comerciante Sidney Godói Moreira, 35 anos, administra o Bar Viação. Como mora desde 1983 na Vila Nova, ele lembra da época que os bares dominavam a paisagem da Araguaia. ''Acho que chegou a ter uns 30 bares aqui na rua. E o movimento sempre foi bom'', garante.
Aos 44 anos, Cláudio Teófilo é um dos donos de bar mais antigos da Vila Nova. Segundo ele, a quantidade de estabelecimentos do gênero na Araguaia criou ambiente para uma competição inusitada. ''Uma vez, fizeram uma aposta para ver quem aguentava vir bebendo lá da cidade até aqui. Um cara chegou no meu bar, que era o penúltimo da rua, e não aguentou mais. Perdeu a aposta'', recorda.
Vizinho do Cláudio's Bar, Shoji Okubo, 77, mantém seu estabelecimento há cerca de 20 anos. Apesar de ter um bar tradicional, ele queixa-se do movimento fraco e da falta de segurança, que o impede de funcionar até mais tarde. ''Só abro de dia. À noite é muito perigoso, tem muito marginal'', avalia. ''E antes tinha mais freguesia'', acrescenta. A opinião é compartilhada por Teófilo. ''Hoje, o movimento está mais sossegado. Mas como sou bastante conhecido ainda tenho um movimento bom'', avalia Teófilo.
Para o sapateiro Geraldo Lopes, 75, que trabalha na Rua Araguaia desde 1943, a entrada dos supermercados contribiui com a queda de movimento dos bares. ''Os bares sempre tiveram muito movimento. Mas depois foram entrando os mercados, que vendiam a cerveja mais barato e tiravam este movimento'', avalia Lopes. Os botequins não foram, porém, as únicas vítimas da chegada dos supermercados de rede na cidade. Poucos mercados de pequeno porte ou mercearias conseguiram sobreviver à concorrência.
Um sobrevivente é o Supermercado Ribeiro, que funciona no bairro desde 1949. Inaugurado como bar e mercearia por Vital Ribeiro, o estabelecimento é atualmente o mais tradicional da região. Para o proprietário Angelin Ribeiro, 56, filho do pioneiro Vital, a concorrência dos grandes supermercados é ''predatória'', mas não impede a sobrevivência do estabelecimento. ''Temos nossa clientela. Hoje atendemos mais ao pessoal que mora próximo, o pessoal do próprio bairro'', revela.


