Barba, cabelo e tradição
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Duas cadeiras, dois espelhos ovais e um pequeno sofá ocupam o único cômodo do salão de Adelmo Rodrigues Matos localizado na Rua São Francisco, no Centro. O lugar, que abriga várias lojas antigas, já foi endereço também de outra barbearia tradicional da Cidade, o Salão Recife.
Aqui chego a receber 300 clientes por mês, garante Matos, de 66 anos, há quatro décadas dedicando-se ao ofício de fazer barba, cabelo e bigode do modo mais simples possível. Os profissionais dos salões de hoje não sabem trabalhar com navalha. Fazem tudo à máquina, argumenta o barbeiro para explicar como sobrevive em um mercado que cresce em ritmo alucinante.
Segundo empresários do setor, a cada dia surgem três salões em Curitiba, alguns são verdadeiros centros de estética, que oferecem desde serviços de manicure até limpeza de pele e tratamentos capilares com produtos importados. Ambiente climatizado, música, água, cafezinho e outros mimos também costumam estar à disposição dos clientes - masculinos e femininos - nestes salões.
Para mim, o ambiente não tem importância. Venho aqui porque ele corta (cabelo) muito bem, ressalta o aposentado Luiz Sousa, freqüentador do salão de Adelmo Matos desde 2003 e parte da fiel clientela do barbeiro. De cem pessoas que vêm aqui, 95 são clientes antigos, que me acompanham há muito tempo. O sucesso depende mesmo é do profissional, o ambiente não influencia em nada, diz Matos.
Outro que aponta o público cativo como razão do sucesso contínuo é o catarinense Santos Montegna, há 29 anos de portas abertas na Rua Cruz Machado, também no Centro. A concorrência não atrapalha. Há espaço para todos, afirma, enquanto termina de fazer a barba de um cliente usando a boa e velha navalha.
Além da simplicidade e dos preços competitivos - a barba fica em torno de
R$ 5 e o corte de cabelo sai em média por R$ 8 - há outro aspecto comum a estes locais. Ainda que nos letreiros eles ostentem a identificação de salões de cabeleireiro são, na realidade, apenas barbearias, onde mulheres não entram.


