Barba, cabelo e música eletrônica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de abril de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Cortar o cabelo e fazer as unhas são atividades normalmente estáticas. O cliente fica parado enquanto os profissionais executam a tarefa. É difícil imaginar alguma semelhança destas práticas com os agitos de uma casa noturna. Até agora.
Desde o começo de março, o salão Jean Louis David, no Centro de Curitiba, ganha ares de festa todas as quintas-feiras, quando traz DJs para animar o embelezamento dos clientes com música eletrônica.
Segundo Jonathas Barros, um dos proprietários, a idéia surgiu de iniciativas semelhantes em outras franquias do salão pelo mundo, especialmente na Europa, onde a presença de DJs em lojas e outros estabelecimentos e bastante comum.
A mudança veio em boa hora, uma pesquisa avaliou que na quinta-feira o movimento no salão costumava cair. Para contornar esta situação, optou-se por criar um dia na semana onde os estudantes pagassem metade do preço normal dos serviços. Para animar este público, foi fechada uma parceria com a Christ DJ Academy, uma escola de DJs que a cada semana se encarrega de levar dois profissionais para discotecarem no ambiente.
A iniciativa está dando certo. Segundo Barros, já é possível notar um aumento no númedo de clientes nestes dias. A estudante Sabine Borges, de 16 anos, vai ao salão duas vezes por mês. Fã de música eletrônica ela aprovou a iniciativa. É bom porque distrai, não fica aquele tédio, observa. Para não espantar a clientela tradicional, quem marca hora na quinta-feira é avisado previamente que neste dia o som é alto.
Para o dono da Academia de DJs, Christian Bretas, conhecido como Christ, esta é uma tendência que está se expandindo no Brasil. Além de discotecar em festas e boates, os DJs estão partindo para outros segmentos, como academias de ginástica e lojas. Alguns lugares descobriram que este tipo de música casa bem, anima o pessoal, conta.
O DJ Gustavo Tomasi, que inaugurou a discoteca do Jean Louis David, acredita que este tipo de ambiente valoriza mais o som. As pessoas curtem mais, prestam mais atenção do que quando estão em uma boate, opina. Segundo ele, as músicas que tocam no salão são bem diferentes daqueles tocadas nas pistas. A função aqui não é fazer as pessoas dançarem, afirma.
Para descobrir qual seria o set (seleção de músicas) mais adequado ao ambiente, ele realizou uma pesquisa dentro do seu estilo de discotecagem, o eurotrance. Estava preocupado com o som, mas depois que vi os cabeleireiros se sacudindo fiquei aliviado, conta.


