Cortar o cabelo e fazer as unhas são atividades normalmente estáticas. O cliente fica parado enquanto os profissionais executam a tarefa. É difícil imaginar alguma semelhança destas práticas com os agitos de uma casa noturna. Até agora.
  Desde o começo de março, o salão Jean Louis David, no Centro de Curitiba, ganha ares de festa todas as quintas-feiras, quando traz DJ’s para animar o embelezamento dos clientes com música eletrônica.
  Segundo Jonathas Barros, um dos proprietários, a idéia surgiu de iniciativas semelhantes em outras franquias do salão pelo mundo, especialmente na Europa, onde a presença de DJ’s em lojas e outros estabelecimentos e bastante comum.
  A mudança veio em boa hora, uma pesquisa avaliou que na quinta-feira o movimento no salão costumava cair. Para contornar esta situação, optou-se por criar um dia na semana onde os estudantes pagassem metade do preço normal dos serviços. Para animar este público, foi fechada uma parceria com a Christ DJ Academy, uma escola de DJ’s que a cada semana se encarrega de levar dois profissionais para discotecarem no ambiente.
  A iniciativa está dando certo. Segundo Barros, já é possível notar um aumento no númedo de clientes nestes dias. A estudante Sabine Borges, de 16 anos, vai ao salão duas vezes por mês. Fã de música eletrônica ela aprovou a iniciativa. ‘‘É bom porque distrai, não fica aquele tédio’’, observa. Para não espantar a clientela tradicional, quem marca hora na quinta-feira é avisado previamente que neste dia o som é alto.
  Para o dono da Academia de DJ’s, Christian Bretas, conhecido como ‘‘Christ’’, esta é uma tendência que está se expandindo no Brasil. Além de discotecar em festas e boates, os DJ’s estão partindo para outros segmentos, como academias de ginástica e lojas. ‘‘Alguns lugares descobriram que este tipo de música casa bem, anima o pessoal’’, conta.
  O DJ Gustavo Tomasi, que inaugurou a discoteca do Jean Louis David, acredita que este tipo de ambiente valoriza mais o som. ‘‘As pessoas curtem mais, prestam mais atenção do que quando estão em uma boate’’, opina. Segundo ele, as músicas que tocam no salão são bem diferentes daqueles tocadas nas pistas. ‘‘A função aqui não é fazer as pessoas dançarem’’, afirma.
  Para descobrir qual seria o ‘‘set’’ (seleção de músicas) mais adequado ao ambiente, ele realizou uma pesquisa dentro do seu estilo de discotecagem, o eurotrance. ‘‘Estava preocupado com o som, mas depois que vi os cabeleireiros se sacudindo fiquei aliviado’’, conta.

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