Barack Obama dita moda no Brasil
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sábado, 04 de outubro de 2008
Glenda Andrade<br> Agência Estado 
São Paulo - O seguinte diálogo se deu em uma tarde agitada na Galeria do Rock, no centro de São Paulo, entre a reportagem e uma vendedora de uma das dezenas de lojas de camisetas com rostos de ídolos do rock. ''Obama, Barack Obama. Vocês já têm a camiseta?'', pergunta a repórter. ''Ah, é aquela banda nova, né? Não, ainda não temos, não.'' Barack Obama não é bem um grupo de rock, mas tem recebido tratamento similar. Candidato democrata à presidência norte-americana, sua vocação às grandes massas, formadas mesmo por quem não mora nos Estados Unidos e nunca o ouviu falar uma palavra, já tem lhe garantido, aos poucos, status de superstar em território brasileiro. Assim como Che Guevara, Bob Marley, Chapolim e Seu Madruga, Barack Obama foi parar no peito de gente que anda pelas ruas ostentado uma ideologia na camiseta. Ou uma simples imagem 'cool'.
Se Obama ainda não chegou à Galeria do Rock, nas lojas da grife Cavalera ele já ocupa lugar de destaque na vitrine desde o último dia 6. Por R$ 19,90, uma singela t-shirt branca com a frase 'Vote Barack Obama' e uma foto do candidato estampada tem feito sucesso entre os clientes.
A peça foi uma idéia de Alberto Hiar, proprietário da marca. ''Estava nos Estados Unidos, voltando para o Brasil já, e entrei numa loja. Tinha um cara super descolado, usando um bottom do Obama. Essa imagem ficou na minha cabeça, e pensei: tenho que levar isso para o Brasil'', conta o empresário, que compara o político ao estilista britânico John Galliano. ''Obama tem a rebeldia dele. Além disso, se veste muito bem'', afirma.
Sucesso total
Inicialmente foram produzidas apenas 300 camisetas - a Cavalera já encomendou outros 700 exemplares do produto. ''Não esperava que ia ter toda essa repercussão'', garante Hiar.
A analista de mercado Caroline Sporrer, 29 anos, foi uma das primeiras a garantir sua camiseta. Sua intenção não foi, digamos, das mais políticas. ''Obama é pop. Imagino daqui uns anos ele fazendo um filme. Meio Arnold Schwarzenegger, sabe?'', diz. ''Quando vi na vitrine, me chamou muito a atenção. Não tinha nem meu tamanho, mas levei mesmo assim.''
Erik Marçal, 26, vendedor da Cavalera da Alameda Lorena, no Jardim Paulista, confirma o sucesso da peça. ''O pessoal passa comentando e dando risada na rua. Tem gente que não acredita. Uns clientes dizem até que se tivesse uma versão do (John) McCain comprariam. O público está reagindo.''
Em tamanhos médio e grande, a camiseta é masculina. ''Apesar de ser para homens, tem muita mulher comprando. Elas dobram a manga e fica ótimo, mais larguinha é super fashion'', garante Marçal.
A professora Elisabeth Foecking, 47, mãe de Beatriz, 21, e Luiz Carlos, 20, também se apaixonou pelo modelo. ''É perfeita, é uma bandeira política com a sacada fashion'', afirma ela, que espalhou a novidade para a família. ''Depois de comprar cheguei em casa e não me contive, liguei para os meus filhos. Eles adoraram.''
Para Elisabeth, entretanto, existe um valor maior agregado a camiseta. ''Usar essa camiseta é uma maneira de mostrar o que eu penso. O mundo não é apenas o país onde você vive.'' Apesar de engajada na questão norte-americana, a professora garante que de forma alguma usaria uma camiseta de um político nacional. ''Não tem aqui nenhuma figura que incite isso em mim. Fico muito chateada de saber que pessoas como Serginho Mallandro estejam aí disputando um cargo.''


