Nos anos 60, havia um lugar onde playboys motorizados e prostitutas da zona do meretrício podiam se sentar lado a lado em Londrina: o Bar Bonanza. Localizado na Rua Piauí (Centro), onde hoje existe uma livraria, o estabelecimento funcionava 24 horas por dia e chegava a ter fila de espera nas madrugadas. As lembranças são de José Aparecido da Silva, o ''Didi'', ex-balconista do extinto Bonanza. Hoje, com 59 anos, ele é porteiro da sede do Departamento de Trânsito (Detran) de Londrina.
''Eu trabalhava na sessão do cafezinho, e tinha noite que não parava um minuto. Era 'Didi!'' pra cá e pra lá. Vivia superlotado, tinha gente de todo tipo. Os playboys iam para lá quando saíam da boate. Vinham ricos e os acompanhantes dos ricos. E as mulheres? Nossa, como dava mulherada naquela época!'', diverte-se.
Segundo Silva, o Bar Bonanza possuía dois andares e servia receitas que hoje causariam certo estranhamento, como o caracau uma mistura de Caracu com ovo. O lugar agradava a estudantes, trabalhadores e artistas, como os integrantes do grupo de fama nacional ''Os Incríveis'', que passaram por lá. Ele recorda que ainda havia poucos bares na época, mencionando o Seven-Seven, na Avenida Celso Garcia Cid, o Bar Líder e a Padaria União, na Avenida Paraná.
Esta última é descrita pelo gaúcho Antônio Américo Corso, 58, como um dos locais mais aconchegantes de Londrina na década de 60. Segundo Corso, ex-funcionário da União, apesar do nome o local se assemelhava mais a um bar do que a uma padaria. ''Era muito gostoso. Era um lugar bem grande mas enchia de gente. No final de ano, os jovens iam até lá tomar champanhe com pizza. Não havia maldade'', conta.(V.N.)

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