Banestado definiu perfil do mercado para se reestruturar
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Carmem Murara 
de Curitiba
Às vésperas de completar três anos, o Plano Real pode ser considerado o grande responsável pela mudança estrutural e operacional pela qual passa o Banestado - único banco com capital paranaense. Desde que a economia se estabilizou e provocou uma reestruturação no sistema financeiro, o Banestado decidiu que não poderia ficar de fora e que tinha que se modernizar. As três metas do Banestado são se tornar um banco de varejo, regionalizar as atividades e acabar com a carteira de fomento, até o final do próximo ano. O plano de mudança começou a ser colocado em prática no início deste ano.
Para decidir qual o perfil que o Estado queria para o seu banco foram necessárias dezenas de reuniões. O enxugamento da estrutura não poupará nem agência deficitárias nem funcionários. O banco vai cortar dois mil bancários dos 11,5 mil que tinha em dezembro de 1996. Não estão acontecendo demissões sumárias, mas as vagas de quem se aposenta, pede demissão ou entra no plano de desligamento voluntário são fechadas.
Toda a estratégia foi montada para manter a instituição competitiva. O Banestado goza do privilégio de ser um dos bancos estaduais mais rentáveis do País. No ano passado, o balanço apresentou um lucro líquido de R$ 12,8 milhões. O patrimônio líquido é de R$ 450,6 milhões, sendo que a rentabilidade foi de 2,8%.
O resultado apesar de mais modesto em relação a 95 foi comemorado frente aos números do Banco do Brasil, por exemplo, que acumulou um prejuízo de R$ 13 bilhões, no ano passado. Situação pior tiveram os bancos Econômico e Nacional, que sofreram intervenção federal.
Os números apresentados pelos bancos refletem o período de baixa inflação. Não há a coisa melhor no mundo do que a inflação para um banco, que ganha rios de dinheiro. É o setor mais beneficiado, afirma o presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho. Com 37 anos de atuação no mercado financeiro, Ramalho diz não ter vivido nenhum momento parecido de transformação do sistema financeiro nacional.
Ramalho cita os dados divulgados pela imprensa, que mostram uma redução de US$ 10,1 bilhões para US$ 455 milhões nas receitas inflacionárias dos bancos brasileiros entre 1994 e 95. A relação mostra que o Banestado ganhou US$ 897,1 milhões, contra US$ 26 milhões no ano seguinte. 40% das receitas bancárias vinham de operações geridas pela inflação, afirma. O presidente do Banestado diz não ter dúvidas de que o sistema financeiro precisa encolher. Ele prevê que até 99, sobrarão cerca de 100 bancos dos 250 que existem atualmente.
O Banestado é um dos que vai sobreviver e nas mãos do poder público, garante Ramalho. Não vamos privatizar o banco, assegura o governador Jaime Lerner cada vez que é questionado sobre o assunto. Hoje, o Conglomerado Banestado é composto por 11 empresas, entre elas as indiretas: Banestado Corretora, Banestado Administradora de Cartões, Companhia de Seguros, Gralha Azul, Capitaliza (empresa de capitalização) e a Asban Participações. As empresas diretas são a Banestado Leasing, Informática, Corretora de Câmbio e o Banco del Paraná.RAIO X
Setor: Financeiro
Patrimônio líquido: R$ 450,6 milhões
Lucro líquido (96): R$ 12,8 milhões
Funcionários: 11,5 mil


