Uma parte considerável das bandas que contaram com a ''curadoria'' da Grande Garagem que Grava tiveram destaque fora de Curitiba. A Pelebrói? Não sei viajou o Brasil inteiro, participou de festivais, assim como o grupo The Ess, que se tornou referência de música pop eletrônica no País, segundo a dupla de produtores Ferreira e Rodrigão, que aponta como a banda mais conceitual de todo o projeto a Gengivas Negras, ''que toca em tudo que é lugar''. A Wandula se apresentou na Europa e gravou disco duplo, Os Catalépticos conquistaram fama no circuito internacional. E O Lendário Chucrobilly Man, banda de um homem só, fez uma turnê pelos países do Velho Continente.
A primeira banda que teve o show gravado ao vivo, neste semestre, foi a Black Maria. O grupo que faz ''um som cosmopolita'', traduzido como uma mistura de muitos estilos (música brasileira, funk, etc) com rock and roll, já tinha três discos gravados, antes de aceitar o convite da Grande Garagem. ''A banda existe desde 1996, já experimentamos muita coisa, e essa oportunidade que eles nos deram foi para a gente mostrar nossa fase atual, de sonoridade mais crua. Buscamos um som mais minimalista, com elementos psicodélicos, que vai soar mais pesado. Uma evolução da banda'', define o tecladista Henrique Peters, de 34 anos.
''Viemos também para dar força ao projeto e também ganhar esse suporte do projeto, que é uma vitrine para as bandas underground, além de nos aproximar da realidade local, dos novos talentos'', acrescenta ele, reforçando que a Lei de Incentivo Cultural viabiliza o trabalho de qualidade de muitos artistas. ''O capital da lei de incentivo é tudo que a gente precisa, uma ótima oportunidade. No entanto não é para todo mundo. Por isso, Curitiba tem que melhorar cada vez mais as condições de trabalho e apoio para as bandas autorais'', pontua Peters.
''Acho que o curitibano tem essa carência de gostar do que é de Curitiba. Ficamos numa ilha, isolados aqui no Sul, entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. Absorvemos muito o que vem de fora. Veja que quando vem uma atração de fora, os ingressos para o Guaíra esgotam em poucos dias, mesmo sendo caríssimos'', compara ele. ''As bandas precisam de exposição na mídia. Ouço muita rádio, mas digo que não ouço tocar uma banda daqui mais do que uma vez, por mês. As rádios de Floripa, Porto Alegre, até de Joiville valorizam mais os músicos locais do que aqui. Se as pessoas nunca nos ouvem, como vão gostar do que fazemos. Falta auto-valorização da nossa cultura, investir no que é nosso'', critica. (F.G.)

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