Uma estatística do passado favoreceu o Paraná na decisão da Renault: entre julho de 1993 e abril de 95, aconteceram 490 greves em São Paulo, envolvendo 746.782 trabalhadores metalúrgicos, com 27 dias parados. No mesmo período, houve apenas três greves de metalúrgicos no Paraná, paralisando 3,4 mil trabalhadores.
Comparando-se as greves registradas no Paraná com mais dois Estados industrializados, o Rio de Janeiro e Minas Gerais, a vantagem paranaense também é grande. No Rio de Janeiro, 24.205 metalúrgicos cruzaram os braços em oito greves, o que resultou em 783.200 horas paralisadas. Nas indústrias mineiras ocorreram 17 paralisações, com a adesão de 15.266 grevistas.
Quando se estende essa mesma análise para as greves registradas em outros setores, de novo o Paraná tem vantagens acentuadas. Entre julho de 93 e abril de 95 foram 26 paralisações no Paraná, com 46.890 grevistas que deixaram de trabalhar por 2.984.488 horas.
Em São Paulo, esses números ganham uma dimensão gigantesca. Foram 1.170 greves, com 3.359.890 adesões e 368.344.640 horas paradas. O total de grevistas em São Paulo equivale a 2,35 vezes a população de Curitiba, que é de 1,4 milhão de habitantes. É como se a população das cinco maiores cidades paranaenses participasse das greves.
Mas não é apenas na comparação das greves que a vantagem das empresas instaladas no Paraná é maior. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), o custo comparativo de mão-de-obra entre Curitiba e São Paulo é menor na capital paranaense.
Arquivo FolhaEstatística positivaA quantidade de greves no Paraná é inferior a de outros Estados e influi na decisão dos franceses
Enquanto um torneiro mecânico de ferramentaria tinha um salário equivalente a US$ 490,80 em Curitiba em dezembro de 94, essa mesma função não era preenchida por menos de US$ 1.066,00 no mês seguinte em São Paulo. Apesar da diferença de 30 dias entre os períodos fornecidos como base, não houve dissídio ou qualquer reposição salarial na categoria.
Nas funções de outras áreas, o custo de mão-de-obra de Curitiba também é menor. Um supervisor administrativo exige um salário médio de US$ 1.089,53 na capital paranaense, enquanto em São Paulo o salário é de US$ 1.358,00.
A diferença acaba sendo revertida se for contabilizado o custo de vida em Curitiba, menor que em São Paulo, sobretudo em itens como aluguel e transporte.

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