Conhecido pelos casarões construídos no auge da produção da erva-mate e da exploração madeireira, por ter abrigado famílias tradicionais da Capital e por concentrar bares e restaurantes com uma intensa atividade noturna, o Batel é ao mesmo tempo um bairro residencial e uma área com atividades de forte apelo comercial.
Nascida no Batel há 68 anos, Lilian Arruda lembra do tempo em que os bondes passavam por ali e adora o movimento que o bairro tem hoje. ''Não sinto falta de nada, aqui tem tudo, cinema, shopping, adoro o Batel. Tem muito movimento de gente jovem e a gente se sente viva'', explica. Segundo Lilian, o local já teve muito mais casarões. ''Era um bairro de casas muito bonitas, mas o brasileiro derruba tudo'', observa. Muitas das amigas de infância ainda moram por ali mas com os novos vizinhos Lilian não tem muito contato. ''O curitibano é reservado, cada um na sua, e isso é muito bom. Moro no mesmo prédio há 25 anos e não vou na casa de ninguém. Só da minha filha que agora mora aqui também'', conta.
Mas nem sempre foi assim, segundo José Carlos Sobieray, 38, que também nasceu no Batel. ''Era mais família. A gente fazia festa junina na rua entre os vizinhos. Era como se fosse parente. Agora está virando um bairro comercial'', avalia. A fama de esnobes dos moradores e frequentadores da região, Sobieray atribui ao histórico do local. ''É onde tudo começou, as famílias tradicionais moravam aqui e isso foi virando mito'', justifica. Já para o frentista Luis César da Silva, 26, que trabalha no posto de gasolina em frente à Praça Miguel Couto, conhecida como Pracinha do Batel, a movimentação nos finais de semana ajuda a reforçar a fama. ''Ficam passando de Ferrari. O povo aqui não trabalha não, só gasta'', afirma.
Para o casal Angélica Luiza de Arruda Ferrari, 28, e José Silvio de Carvalho Filho, 31, ''o Batel é mais que um bairro, é uma instituição em Curitiba''. ''É um bairro muito tranquilo, elegante e aconchegante. Tem muitos restaurantes bons também, não é só Santa Felicidade'', observa o casal. Angélica lembra do tempo em que a Avenida Bispo Dom José tinha mão dupla e as pessoas paravam os carros no meio da rua para conversar. ''Chamavam de bobódromo. Era terrível circular aqui'', conta. Já Ivete de Oliveira, 40, trabalha no Batel há 23 anos e não acha o local tão tranquilo assim. ''Outro dia mataram um rapaz no sinaleiro'', ressalta.
A vocação comercial é confirmada pelos projetos de dois novos shoppings centers. O bairro já abriga o Shopping Novo Batel e o Shopping Crystal e vai ganhar o Pátio Batel, que será construído na avenida de mesmo nome, na esquina com a rua Hermes Fontes. O outro shopping deve ser voltado para a área de móveis e decoração e ficará na divisa do bairro Bigorrilho com o Batel, na Alameda Dr. Carlos de Carvalho. A obra deve iniciar em 2008, no terreno da antiga de sede do Clube Juventus.

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