O bairro Barreirinha, localizado na região norte de Curitiba, recebeu esse nome devido ao barro que se formava toda vez que chovia na região. ''Era tudo banhado, uma lama só'', lembra o aposentado Valmor Coelho Guedes, de 68 anos, morador do bairro há mais de 50. Ele conta que as melhorias urbanas chegaram por ali devagar e até poucos anos atrás ainda era possível encontrar muitas ruas sem asfalto.
Hoje o bairro está diferente. Apesar de manter sua característica residencial, ele deixou para trás a aparência bucólica, com propriedades rurais à beira das avenidas e vacas de leite dividindo o espaço com automóveis. Em um rápido passeio é possível encontrar diversas casas novas de alto padrão e condomínios fechados em construção, mostrando que a Barreirinha está entrando em uma nova fase.
A origem do bairro sempre esteve ligada à imigração polonesa. A presença desses colonos rendeu até uma cômica musiquinha, conhecida pela grande maioria dos curitibanos: ''Poraco da Barerinha pegou a caroça e foi fazer churasco. A roda era de boracha bateu na rocha e caiu no rio''. A letra tenta reproduzir o sotaque polonês e a ''caroça'' é uma referência à produção de carroças por parte dos imigrantes, que aliava-se à economia agrícola da colônia.
Ainda hoje é possível sentir a presença dessa etnia na região. De acordo com o comerciante Evandro Portella, herdeiro de uma tradicional loja de tintas do bairro, grande parte dos fregueses tem origem polonesa. ''Eles são bem fiéis, se algum comprar com você e for bem atendido, ele volta todo ano'', observa. Segundo ele, muitos desses moradores têm receio de se desfazer das propriedades originais, isso gera contrastes entre a arquitetura arrojada dos novos empreendimentos imobiliários e as antigas casas de madeira em estilo colonial.
Essa lentidão nas mudanças também é observada por outro comerciante da região. Armando Beraldo, dono do Bar Dínamo, afirma que muito pouca coisa mudou desde que ele instalou-se por ali, há mais de 18 anos. ''Não tem como mudar, o pessoal aqui é muito tradicional'', avalia.
Mas todas estas questões não incomodam seu Valmor, que passa as tardes ao lado do copo de refrigerante jogando baralho com os colegas em um dos bares mais antigos da região, o Batutas Bar, que existe há mais de 60 anos. ''São tudo uns safado'', briga o aposentado ao discordar da pontuação apresentada por um adversário. As discussões entre os amigos são comuns no Batutas, mas isso não assusta a atendente Isabela de Almeida, que já conhece o temperamento dos clientes. ''Eles (os fregueses) envelheceram com o bar, a gente tá acostumada'', brinca.

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