Foi-se o tempo da dor de corno. E também do novo-riquismo ‘‘chique no úrtimo’’. Sempre presente no inconsciente coletivo tupiniquim, a cultura country-sertaneja vive mais uma boa fase, desta vez entre o público jovem. Avessa aos bailões da periferia, essa nova turma não quer saber da tristeza do Jeca e nem do fio de cabelo no paletó. Na base do sexo, álcool e vanerão, o movimento conhecido como sertanejo universitário preconiza uma espécie de hedonismo caipira, mas sem perder os confortos da cidade grande.
  Em março, Curitiba se consolidou como um pólo do gênero ao reunir 30 mil pessoas na Pedreira Paulo Leminski, durante um megafestival de música country. A cidade também sediou uma rave sertaneja e até um luau rural, o que confirma o caráter abrangente do movimento.
  Por aqui, há quem diga que o estouro da boiada se deve ao bar Woods, no Bacacheri. Inaugurado em 2005, o point oferece uma estrutura sofisticada para os cowboys e cowgirls, com direito a ar condicionado, sistema informatizado, tevês de plasma e mais de 40 garçons à disposição. Ou seja: um ambiente que nada lembra os barracões suarentos fora do eixo central. ‘‘Antes do Woods, era brega curtir música sertaneja’’, afirma Marcelo Valle, apresentador do programa de TV Na Balada (CNT), que vende espaco para a divulgação de casas noturnas.
  O Woods também conta com uma versão pub, mais intimista, em pleno Batel. Mas é a matriz que permanece como o principal ponto de encontro dos sertanejos classe A. ‘‘Falando friamente, era um público feio que freqüentava as baladas country em Curitiba. Montamos o bar justamente para chamar um pessoal mais selecionado’’, diz Gurlan Rossette, um dois seis sócios do empreendimento.
  Atualmente, a cidade conta com pelo menos outras 15 casas voltadas para os sons sertanejos. Nem todas recebem apenas o ‘‘pessoal selecionado’’, mas a maioria teve de se adaptar ao novo perfil da audiência. Gente que trocou o pagode, o funk e a música eletrônica pela viola caipira – e hoje chacoalha o esqueleto no Victoria Villa, Rancho Brasil, Rodeo, Santa Fé, Seis e Meia, Armazém do Cuca, Território Sertanejo, etc.
  É o caso de Rosângela Velozo, 25 anos, formada em Sistemas de Informação. Ela conta que ainda vai a raves, mas tem preferido as baladas sertanejas porque se identifica mais com o som. ‘‘Meus pais vieram do interior, ouvi esse tipo de música a minha vida inteira’’.
  Bancária e estudante de Administração de Empresas, Luciana Salomão, 29, acredita que as baladas country têm mais ‘‘emoção’’. ‘‘É um som feito para dançar junto, tem uma química’’, explica. A dança, por sinal, é a senha para entender a popularidade das duplas atuais. ‘‘O ritmo é animado’’, define a promotora de eventos Fernanda Mendes, 21. ‘‘E as letras não são melosas como as antigamente’’, emenda.

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