Baila comigo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Um passo para a esquerda, outro para a direita, mãos na cintura e requebra o quadril. Se a dança de salão fosse resumida apenas nestes movimentos tudo seria mais fácil. Mas não é bem assim. Por isso, muitos curitibanos resolveram procurar escolas de dança para não fazer feio nas pistas. Acabaram virando pés-de-valsa.
A professora universitária Alexandra Viegas Cortez virou aluna de dança de salão há três anos por incentivo de sua filha. Com apenas 12 anos, Júlia resolveu se matricular nas aulas por gostar de dança. Alexandra, que acompanhava a filha na escola, se animou e também fez sua matrícula para aperfeiçoar os passos nos diferentes estilos musicais. Gostou tanto que hoje se encontra com colegas da escola Oito Tempos para dançar no Alice Bar e no Calamengau, tradicionais espaços de samba e forró de Curitiba.
Alexandra diz que dançar é uma terapia. Para você se divertir, tem que estar em harmonia com a pessoa que dança com você. As pessoas aprendem a se soltar e começam a demonstrar mais confiança, explica.
A filha Júlia, agora com 15 anos, considera que melhorou bastante desde o início das aulas. Ela acredita que qualquer atividade relacionada ao corpo aumenta a própria consciência. Algumas colegas do colégio que estuda não levam muito a sério a prática da dança de salão. Algumas torcem o nariz, mas quando as pessoas sabem do que se trata gostam muito, conta. Além disso, a dança foi uma forma de estreitar os laços com a família. Fazer as aulas com minha mãe foi muito bom. Me aproximei dela e o relacionamento melhorou.
Os professores de dança Alex Colin e Regina Montticelli, do Espaço Cultural Dance Sempre, preparam para as próximas semanas o lançamento de uma sede da escola com 300 metros quadrados. Eles se animaram em construir o local pois o número de alunos da escola cresce a cada dia (atualmente são 300). Além disso, Regina foi a vencedora do 1º Campeonato Brasileiro de Dança, promovido pelo SBT, no ano passado. Com um prêmio de R$ 150 mil, ela agora investe no ensino da dança de salão em Curitiba. Segundo Colin, este foi o maior prêmio entregue em um concurso de dança em todo o mundo. O dançarino que competiu ao lado de Regina recebeu a mesma quantia.
Colin afirma que o crescimento na procura pela dança de salão tem como motivo principal a atenção que a mídia começou a dar na modalidade. Cada filme lançado e programa de televisão com temas desta área ajudam a difundir a dança. Antigamente os professores eram considerados desocupados. Hoje este conceito mudou, explica o profissional.
Advogados, engenheiros, médicos, políticos, estudantes e empresários procuram o Dance Sempre para aprimorar as técnicas de dança. Os professores afirmam que com 20 aulas os alunos já podem se dar bem nas pistas. Ensinamos a mecânica da dança em uma aula. São seis mecanismos diferentes. A partir disso podemos misturar as técnicas e elaborar mais de 2 mil passos, conta Colin.
Além de auxiliar os praticantes como exercício físico, a dança ajuda na auto-estima, timidez e coordenação motora. Muitos alunos se reúnem fora do horário de aula para praticar os movimentos em casas noturnas. Não é raro encontrar dançarinos principiantes que arriscam em público o que aprenderam nas aulas.
Fabiano Matheus, proprietário e professor da Gestual Dança de Salão, diz que no último ano a procura pelas aulas aumentou 40%. Na sua escola, pessoas entre 12 e 60 anos praticam diversos ritmos como tango, bolero, vanerão, valsa, samba de gafieira (de origem do Rio de Janeiro) e samba no pé. Para ele, o importante é saber dançar. Os diversos ritmos auxiliam na postura, no equilíbrio e também no emocional. São vários estilos para cada um se sentir bem, explica.
Em Curitiba, existem bailes todos os dias. Mas mesmo os que não arriscam os passos nos clubes também participam das aulas. Ultimamente está na moda casais de noivos se matricularem para aprender coreografias específicas apenas para a festa de casamento. Nos aniversários de 15 anos isso também acontece com a tradicional valsa. Cada pessoa tem um objetivo. Às vezes os médicos recomendam a prática de algum exercício e o escolhido é a dança, conta Matheus.
Sílvio Melo Filho é empresário do ramo de alimentos para cachorros e gatos. Sua namorada sempre foi adepta da dança. Ele nem tanto. No final de 2006 decidiu virar o jogo e começou a fazer aulas particulares de dança de salão. Virou uma paixão. Antes o casal raramente saía para dançar. Mas agora eles têm prazer em praticar os passos na frente de todos, em casas noturnas da cidade. A modalidade preferida de Sílvio é o zouk, um ritmo oriundo do Caribe mas que no Brasil sofreu influência da lambada. Se você não tem segurança para conduzir uma dama acaba não sendo bom dançarino, conta.
As escolas de dança oferecem bailes para que os alunos pratiquem os ensinamentos adquiridos durante as aulas. É assim que a proprietária de uma loja de persianas Glaci Safiano mostra os passos que aprende. Ela não costuma sair para dançar, mas é apaixonada pelo tango. Esqueço do mundo quando estou dançando. Todo mundo deveria fazer, incentiva. Ela também pratica musculação e acredita que a dança auxilia na flexibilidade do corpo. Entre passos e gingados os dançarinos se concentram em não fazer feio na frente dos outros. Afinal, estudam para isso.


