O empresário Wilson Baggio nunca exerceu nenhum mandato político, nem ocupou nenhum cargo público, mas pode ser considerado uma das maiores autoridades de Cornélio Procópio. Aos 85 anos, ele demonstra uma vitalidade e lucidez de impressionar. Há décadas, tem uma influência direta nos principais assuntos da cidade, sendo frequentemente consultado por políticos, empresários e outras lideranças locais antes de uma decisão.
  A história da chegada da família Baggio para o Norte do Paraná começou em 1929 quando o patriarca Pedro Baggio esteve na região pela primeira vez. Ele ficou encantado com a fertilidade da terra e prometeu que iria se mudar para o local, o que só ocorreu em 1939. A família, que morava em Araras, no interior de São Paulo, se estabeleceu inicialmente em Santa Mariana.
  Na época, o menino Wilson Baggio permaneceu no interior de São Paulo para estudar e só veio em definitivo para Cornélio Procópio em 1945. Uma das primeiras coisas que observou na nova cidade era que havia uma parte alta e uma parte baixa. Ele conta, em detalhes, que era difícil se deslocar de uma parte para a outra em dias de chuva e que, por isso, andou muitos anos a cavalo. ‘‘Foi um período difícil, mas a gente era mais novo e o homem novo, que tem coragem e vontade de trabalhar, ele enfrenta, vai e faz’’, reconhece.
  Demonstrando desde o começo um grande interesse pelas questões sociais, Wilson Baggio interferiu diretamente na construção da Catedral, da Santa Casa e do Tiro de Guerra, pedindo ajuda às pessoas mais influentes da cidade para estas obras. ‘‘Se eu tivesse a fazenda perto de Cornélio, eu daria 3, 4, ou 5 alqueires, mas pedi para para outra família doar um alqueire. Na época, um alqueire não era nada, mas hoje é uma fortuna’’, afirma.
  A grande paixão dele sempre foi a cafeicultura, se tornando uma autoridade no assunto, com participação no Conselho Nacional do Café, no Conselho Deliberativo da Política Cafeeira e membro da comissão técnica de café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), entre tantos outros cargos. Hoje, ele nem gosta muito de falar sobre cafeicultura, embora o tema quase sempre seja inevitável.
  O empresário recebeu também inúmeras homenagens, entre elas o título de cidadão honorário do Paraná e diploma ‘‘Homem da Terra’’, pelos serviços prestados à agropecuária nacional.
  Baggio faz questão de falar mesmo é sobre Cornélio Procópio. Segundo ele, o fato de ser uma cidade pequena contribui para uma melhor qualidade de vida. ‘‘Cornélio é uma cidade boa por causa do clima, tem uma boa altitude, o solo é bom, a gente vive bem porque é fácil de se relacionar com as pessoas, tem um bom serviço de água, enfim, é uma cidade boa para se morar’’, explica.
  Hoje, o empresário administra seus negócios em um escritório na parte alta no centro da cidade.

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