Baggio está colhendo a 107ª safra de café consecutiva
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Luciane Tonon 
de Cornélio Procópio
Investir em recursos humanos tem sido a alternativa encontrada para aumentar a produtividade e qualidade da Agropecuária Wilson Baggio, em Cornélio Procópio. Cerca de mil funcionários entre permanentes e trabalhadores volantes recebem constantemente cursos de treinamento e prêmios de incentivo pela produção. A família Baggio faz este ano a 107ª colheita de café consecutiva.
A idéia tem obtido suceso porque o funcionário quando recebe o atendimento que precisa, trabalha melhor e rende mais, explicou o empresário Wilson Baggio, 71 anos. A família dos funcionários é acompanhada por psicólogos e recebem auxílio saúde e alimentação. Sempre oferecemos cesta básica e no final de cada safra premiamos com eltrodomésticos os que mostraram mais produtividade e assiduidade.
Para o recrutamento de pessoal, a empresa usa uma metodologia de contrato baseada nas etapas de seleção, treinamento e cobrança. Isso porque existe uma diferença muito grande entre os empregados. Uns produzem muito, outros pouco demais, disse Baggio. Segundo ele, os cursos de treinamento na empresa são feitosatravés do Sebrae e sindicatos. Já na lavoura, a empresa seleciona os melhores trabalhadores para orientar os demais sobre como ter uma boa rentabilidade.
A Agropecuária Baggio atua nos Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul com produção de café, cana de açúcar, cereais, pecuária e laranja. Na região Norte do Paraná, a empresa é responsável por 2,5 mil hectares de cana, com uma produção de 100 toneladas por hectare, e 500 hectares de café. O volume de comercialização do café da empresa é dedicado 75% para exportação e 25% para mercado interno. Já a cana de açúcar para produção de álcool e a pecuária têm um índice de 100% para o mercado interno e a laranja, 100% mercado externo.
Segundo Baggio, a empresa passa por um momento reestruturação após a geada de 94. Os lucros dos últimos dois anos são quase inexistentes pelos baixos preços dos produtos. O café teve melhoria de preço este ano e a cana permanece com o mesmo preço o ano todo, explicou Baggio.
Para ele, o Plano Real tem exigido muito profissionalismo de todos os empresários. Não podemos criticar porque vivíamos com inflação muito alta e agora a moeda está estabilizada. A grande dificuldade porém, Baggio classifica, é que o Brasil dispõe de poucos financiamentos para o próprio custeio. Inexiste financiamento para investimento a longo prazo, os juros são muito altos,e as exportações muito caras, comentou.
Baggio aponta ainda que a taxação que os produtos brasileiros sofrem no exterior é lamentável. Segundo ele, o café brasileiro é o único no mundo que para entrar na Europa paga uma taxa de 10,2%. Temos uma importação indiscriminada de produtos agrícolas e industriais, inclusive de países que subsidiam. Por isso o Brasil acabou com o algodão, trigo e com o rami.
Quanto à exportação, o passo positivo que o governo já deu, segundo Baggio, foi a retirada do ICMS dos produtos a serem exportados. E para diminuir as importações, a obrigatoriedade de pagar à vista as compras externas.
O conselho que Baggio dá aos empresários é que evitem o endividamento. Mas pondera que no Brasil para investir tem que dever. Ele lembra que alguns países têm financiamento de 30 anos de prazo. Nos Estados Unidos existem bancos que oferecem bonus centenários. E diz que os empresários devem buscar a produtividade pela diferença entre o mercado e seu custo. O plano futuro para sua empresa é de continuar trabalhando como sempre, produzindo mais e nos cercando de informações para melhor produtividade, qualidade e competitividade. RAIO X
Setor: Agropecuária
Área plantada
- Cana: 2,5 mil hectares
- Café: 500 hectares
Lucro líquido: Não fornecido
Funcionários: 1000


