Jonas OliveiraAndréia adora crianças e encara o trabalho com o máximo de profissionalismo. Catarine já se habituou com a babáProcura-se: moça sensível, inteligente, responsável, com disponibilidade para morar fora, paciente, com boa formação educacional, que goste muito de crianças e que saiba se comportar como uma profissional. Este é o perfil ideal da babá, que pode receber até R$ 1.000,00 de salário com casa, comida e roupa lavada.
‘‘Mas não existe este perfil’’, reconhecem as psicólogas Sandra Stall e Tania Siemens. As duas, percebendo essas dificuldades, montaram um curso de formação de babás, que vem apresentando resultados interessantes. Elas trabalham com ludoterapia e observaram que várias crianças apresentavam problemas de relacionamento, de fala e de coordenação motora devido ao longo período que ficavam com babás sem treinamento adequado.
‘‘Em geral os patrões são bastante exigentes na hora de decidir contratar uma pessoa para cuidar e, o que é mais importante, se responsabilizar pelo filho. O nível de exigência é muito grande para quem não teve oportunidade para a sua própria formação. Por outro lado as agências de empregos também não se responsabilizam pelas pessoas que mandam para este tipo de serviço. Então, encontrar uma boa babá é difícil e custa caro’’, reconhece Tania.
Curso -Para preencher esta lacuna, as psicólogas oferecem o curso de 20 horas com certificado e ajudam as babás a encontrar trabalho. ‘‘Mas em geral, isso nem é preciso por que quem nos procura mais são as mães, que querem que as babás já contratadas façam o curso’’, diz Sandra.
A maioria das candidatas a babás chega com milhões de dúvidas, afirmam. As mais comuns são como responder às perguntas das crianças, o que fazer num caso de acidente, se deve ou não interferir se houver briga em casa e de que lado ficar quando os pais são separados.
Muitas mães usam as babás como informantes da vida do ex-marido e depois cobram uma conduta profissional da mesma pessoa em outras situações, conta Sandra. Ela reconhece que é bem difícil o trabalho de babá. ‘‘Existem situações do dia-a-dia bem delicadas’’. Como exemplo ela cita o ciúmes entre babás e empregadas domésticas e até mesmo entre as patroas. ‘‘A babá está muito mais dentro de casa, nos quartos, salas e banheiros, e isso gera distúrbios de privacidade e de invasão. A babá tem que saber lidar com tudo isso e ainda ser responsável pela criança’’, diz.
Outro problema detectado pelas psicólogas é o controle das atividades das crinças através do medo. ‘‘Se você não comer tudo vai ficar trancado no quarto’’ ou ‘‘fique quieto senão o bicho-papão vem te pegar’’.
Para as psicoterapeutas infantis, há necessidade das próprias candidatas reconhecerem suas deficiências e conteúdos psicológico para poderem discernir sobre o que é melhor para a criança e em que momento. ‘‘Algumas vezes, durante o curso, ocorreu das próprias moças perceberem que este tipo de serviço não era para elas e desistirem’’, contam.
As babás recebem orientações e esclarecem as dúvidas nessa primeira etapa, que é um curso básico. As psicólogas estão montando uma continuação para aperfeiçoamentos. ‘‘Algumas avós e moças universitárias já ligaram interessadas no curso. São pessoas que precisam se reciclar ou que estudam à noite e querem um trabalho onde possam morar, comer e dormir’’, explica Tania.

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