Fabiano Camargo

Marcelo Almeida‘‘A adrenalina da altura e da velocidade atrai cada vez mais praticantes’’, diz o instrutor de escalada Heitor SouzaUma corda, alguns apetrechos de alpinismo, apetite para a aventura e um paredão de pedra. Com esta receita básica, o rapel é uma nova mania esportiva que vem crescendo muito e conquistando cada vez mais praticantes. Nos Jogos Mundiais da Natureza, espécie de Olimpíada dos esportes ligados à ecologia, que serão promovidos em setembro em Foz do Iguaçu, o rapel entrará como modalidade de demonstração, revelando uma popularidade crescente.
Hoje próximo de conquistar o status de esporte, o rapel nasceu como uma técnica do alpinismo. Inicialmente, nada mais era do que o método empregado para a descida das montanhas escaladas. Com o tempo, ganhou novas modalidades, como descer cachoeiras. Surgiu também um repertório de manobras acrobáticas, nas quais o praticante assume o movimento de um pêndulo ou executa piruetas e giros, por exemplo.
Em pontos próximos à cidade, cada vez aumenta mais o número de pessoas que caçam aventura com a novidade. ‘‘Como esporte isolado do alpinismo, o rapel vem se desenvolvendo com mais força a cerca de um ano’’, diz o instrutor de escalada Heitor Souza, 21 anos. ‘‘A adrenalina da altura e a velocidade da descida vêm atraindo cada vez mais pessoas. Comparado com o alpinismo, é muito mais fácil e rápido, pois você pode descer até de locais onde não é preciso escalar para chegar, como pedreiras e cavernas que tenham trilhas levando ao topo’’.
O publicitário Danilo Tozzo, 31, praticante dp alpinismo há mais de 15, é um dos adeptos. Costuma executar manobras que exigem muita técnica nas suas incursões pelo complexo do Anhangava, considerado uma montanha escola para os alpinistas e um dos pontos mais procurados também para o rapel. Também já ‘‘rapelou’’ pontes como as que ficam próximas ao Pico Marumbi - a maior delas oferece uma descida de 40 metros. ‘‘É possível dar vôos bem legais entre pontos distantes, fazendo um movimento de pêndulo. Parece coisa daqueles filmes do Tarzan’’, descreve. O estudante Rafael Torres, 25, se dedica exclusivamente ao rapel. ‘‘Escalar leva muito tempo. Fazendo rapel em locais de fácil acesso, dá para descer várias vezes seguidas e sentir mais o ‘feeling’ da velocidade’’.
O publicitário e escalador Danilo Tozzo descendo uma parede no Anhangava, local que oferece boas opções para o rapel

Segundo o instrutor Heitor Souza, procurar um curso ou, no mínimo, a orientação de escaladores experientes, é mais que aconselhável para quem quer se iniciar. ‘‘A técnica não é muito difícil, mas existem normas a serem seguidas para que não exista risco’’.
Quando chegam no topo da parede que vai ser descida, os rapelistas podem prender as cordas em grampos de alpinismo que ficam cravados na rocha ou em elementos naturais como árvores. Para fixar-se, o praticante usa a cadeirinha, sistema que prende sua cintura e pernas à corda pelo ‘‘oito’’, peça de metal por onde a corda passa. Então, basta ir soltando a corda conforme a velocidade que se queira. As cordas mais utilizadas são de 50 metros, permitindo a descida de paredes com esta altura. Para uma dose maior de emoção, pode-se juntar duas cordas e descer paredes de 100 metros. Capacete e luvas complementam o equipamento básico para o rapel, que pode ser montado com cerca de R$ 600,00.
Além do Anhangava, outro ponto muito procurado é o Canyon do Guartelá, na região de Tibabi. Em Curitiba, a Pedreira do Atuba também pode ser ‘‘rapelada’’. A pedreira desativada onde o Parque Tanguá foi instalado já muito frequentada pelos fãs do rapel. Com a inaguração do parque, a atividade foi proibida.

mockup