''Não deve ser tão difícil assim'', pensei comigo desde que aceitei o desafio de saltar de pára-quedas, escrever sobre o assunto e informar quem procura uma opção de esportes radicais em Londrina. Afinal, seria um antigo sonho realizado. Tudo bem, a descontração e o profissionalismo da equipe amenizam um pouco a ansiedade, mas não a anula.
Vamos lá, caro leitor, trinta e cinco segundos representam quanto para você? Se estivermos sentados e contarmos em voz alta ''um, dois três, quatro..() trinta e cinco'', tenho certeza de que alguém arriscaria dizer que o tempo não passou muito rápido, pelo contrário, que a contagem ficou um pouco monótona. Talvez eu pudesse integrar o rol dessas pessoas, não fossem alguns detalhes como os 35 segundos serem sentidos a 200 Km/h, de uma queda referente a 10 mil pés (algo próximo a três mil metros de altitude).
Antes da infinidade de sensações, vale um breve relato a respeito dessa minha primeira experiência com o pára-quedismo. Era a primeira vez que via pessoalmente um pára-quedas. Fábio Pelayo, instrutor da ''Fly Pára-quedismo'' e vice-presidente da Federação Paranaense de Pára-quedismo, mostrou cada peça e suas funções enquanto dobrava o equipamento para o salto duplo (categoria em que a pessoa salta acompanhada de um instrutor).
Os minutos que antecedem o salto são reservados ao briefing para que sejam dadas as recomendações quanto ao posicionamento dos braços e pernas. Vesti um macacão e um colete que foi seguramente acoplado ao de Pelayo. Seguimos até o avião monomotor (Cessna Skylane C-182), cedido pelo Aeroclube de Londrina e outras indicações foram dadas nessa hora, mesmo com o avião estacionado, senti uma leve descarga de adrenalina. Também participaram do salto o cinegrafista Laercio Gomes e o pára-quedista Renato de Freitas.
A partida foi dada e, cerca de trinta minutos passados, uma paisagem vista a 10 mil pés de altitude. Olho pela janela e sinto o coração bater em várias partes do corpo. ''Meu Deus, como está pequeno lá em baixo!'', foram minhas últimas palavras antes de saltarmos. Quando eu o instrutor saímos do monomotor os demais já estavam pendurados no lado de fora do avião aguardando o sinal de Pelayo.
Interessante foi constatar que, mesmo não tendo medo de altura e adorar velocidade, talvez um instinto de sobrevivência fez com que minhas mãos não se soltassem do corrimão. Quando eu percebi, depois do primeiro grito, já estava fora do avião aproveitando a deliciosa sensação de voar. Lá em cima o vento é muito frio, quase como chupar dropes de menta extra-forte e beber água gelada.
Foram os 35 segundos mais rápidos e intensos da minha vida. Quando eu menos esperava, um pequeno solavanco e o pára-quedas foi acionado. É o momento em que começa a parte contemplativa do ''passeio'', durando aproximadamente dez minutos. O céu estava com um azul inebriante, as nuvens mais brancas e o sol, majestoso como jamais tinha observado. Olhei para cima e vi o que nos transportava suavemente até o chão do Aeroporto 14 Bis; um pedaço de nylon colorido. Aerodinâmica à parte, considero um pequeno milagre do homem.
Por mais adjetivos que eu acrescentasse nesta reportagem, não transmitiria a real sensação de um primeiro salto.
* A repórter saltou de pára-quedas a convite da Fly Pára-quedismo.

Serviço:
Fly Pára-quedismo - para agendamento de salto duplo entrar em contato pelos telefones: (43) 3027 6265 ou 9102-6265. Próximos saltos: dias 28 e 29 de janeiro, dependendo das condições climáticas. Outras atividades podem ser conferidas no site www.flypqd.com.br

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