AVENTURA - Pedalar ... a grande pedida para o fim de semana
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domingo, 19 de fevereiro de 2006
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
A manhã de domingo estava perfeita para as pedaladas. Tempo encoberto por nuvens, mas sem chuva, ideal para enfrentar os 30 quilômentros de estrada previstos no percurso. O grupo de amigos é eclético e já está acostumado a pedalar toda semana, alguns há mais de dez anos. Funcionários públicos, estudantes, profissionais liberais, além do mascote, Leandro, de apenas dez anos, que não deixa nada a desejar para os adultos. A maioria já pratica outros esportes, como montanhismo e escalada, todos ligados à natureza.
O grupo formado por nove pessoas se reuniu às 9 horas na rotatória das avenidas Salgado Filho com Capitão João Bussi, no Jardim Califórnia (Zona Leste) para um bate-papo rápido, onde foi possível observar a paixão de todos por mountain bike. Paixão que se arrasta há anos e que vem atraindo cada vez mais adeptos.
Um último ajuste nas magrelas, um rápido alongamento e a galera, já ansiosa, parte em busca da aventura, que está só começando. Na mochila, algumas ferramentas e bomba de ar que poderão auxiliar caso a bicicleta apresente problemas. O esporte exige alguns acessórios, como calças mais justas e elásticas, apropriadas para não prejudicar o movimento das pernas. Também vale a regra do protetor solar e dos repelentes, dependendo do destino final do passeio. E claro, não podemos esquecer da água, afinal, a maioria vai suar e o organismo vai exigir o tão precioso líquido.
Ainda na avenida Salgado Filho, os ciclistas enfrentam o movimento de carros, apesar do horário. Todo cuidado é pouco. São 15 quilômetros de ida e outros 15 de volta, com uma média de duração de duas horas de pedaladas. Haja perna! Isso para quem já está acostumado.
O horário pode se alongar mais, dependendo do preparo técnico do ciclista, do tempo gasto nas subidas e nas paradas pelas charmosas vendinhas ou restaurantes rurais, encontrados no meio do caminho. Mas ninguém aqui tem pressa. O percurso é apenas um ''passeio'', como prefere definir o grupo, mas que serve de preparação para enfrentar trechos mais longos, em dias de feriado, por exemplo.
No caso, a estrada escolhida é tranquila e asfaltada, com apenas o último trecho de terra (ou seria mais de pedra?), num percurso de mais ou menos seis quilômetros, antes de chegar às margens do rio Tibagi.
O caminho é tranquilo, com pedaladas leves. A velocidade máxima atingida é de 60 quilômetros por hora, nas descidas. Nas retas, é possível apreciar a paisagem. Pelo caminho encontramos de tudo. Gente que vive nas chácaras próximas fazendo caminhadas, galinhas, bois, casebres escondidos ao longe e as vendas tradicionais, onde a cachaça ainda é a melhor pedida.
Uma rápida parada na charmosa venda ''Chão Comum'', onde encontramos de tudo um pouco: vários tipos de mel, frutas, doces caseiros e acessórios coloridos para enfeitar a casa. Nosso mascote, Leandro Prado Carneiro, de 10 anos, garantiu umas barrinhas de bananas-passa, que fornece potássio para o organismo, além de ''enganar'' a fome.
O garoto acompanha o pai nas trilhas desde pequeno e com bicicleta própria, não reclama de ter que empurrar a magrela na subida árdua de estrada de terra. ''Ele aguenta firme, não reclama de nada'', contou o integrante da equipe Carlos Eduardo Baricati, 32 anos, servidor público que pedala há 15 anos e ajuda no controle do passeio, com um rádio walkie-talkie.
O pai de Leandro, Adair Vicente Carneiro, de 33 anos, técnico em laboratório e fotógrafo nas horas vagas, afirma que o ideal é andar em grupo. ''Não é tão comum, mas podemos ter problemas com quebra de peças, tombos, então, um socorre o outro''.
Paulo César da Silva, 25, pedala há quatro anos. Ele trabalha em uma marmoraria e mesmo com toda a experiência, ficou afastado das trilhas durante 70 dias por causa de um tombo de bicicleta, quando quebrou o maxilar e o pulso. Logo depois de recuperado, voltou a pedalar. ''Os tombos são comuns. Você anda em vários tipos de terrenos e as quedas podem acontecer''.
O passeio também pode ser romântico. Os estudantes de Biologia Rebeca Fuzinatto Dall'agnol, 19, e Daniel Favero, 23, aproveitam os finais de semana para curtir as bicicletas. Eles pedalam há apenas um ano, mas já incorporaram o esporte na rotina do namoro. O arte-finalista Ricardo Fâncio, 29, também se uniu ao grupo há um ano e afirma que ''pedalar é garantia de acabar com o estresse''.
Elenice Marcos Sedlmaier, 32, confeccionista e o dentista Adolfo Henrique Mansano, 28, ressaltam que o passeio garante a amizade do grupo e a integração com as belezas naturais. ''É um passeio em que a gente se integra e curte a natureza'', diz Adolfo.
Depois de uma hora de pedaladas com algumas pequenas paradas para descanso (tempo bem curto para que o corpo não esfrie), chegamos ao destino final. Às margens do rio Tibagi, o grupo estaciona as bicicletas e se concentra na calmaria das águas, cercada pelo verde exuberante. ''É lindo'', declara Elenice como se estivesse ido ao local pela primeira vez. ''Esta é a segunda vez que venho aqui e tudo é mais bonito. E tão perto da gente''.
A idéia do grupo é exatamente essa. Aproveitar o que a região tem de bonito para oferecer. ''Não precisamos ir longe. Aqui mesmo temos opções para curtir as belezas naturais, manter o contato com os amigos e garantir saúde'', declaram.
A parada no rio dura cerca de meia hora. Tempo suficiente para apreciar a natureza, namorar, meditar, subir em árvores e se preparar para a volta, que vai ser mais difícil por causa das subidas, mas não menos emocionante. O bom é saber que na semana que vem, tem mais.


