AVENTURA - Parapente, voando ao sabor do vento
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2006
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Quando um leigo no esporte se depara diante de dezenas de apaixonados pelo vôo livre, parece estar escrito na testa: nunca voei antes. Quem voa de parapente parece mais alegre, mais feliz e um pouco maluco também, mas, de uma coisa eles têm razão, a sensação pós-vôo é indescritível.
Minha experiência foi exatamente como um piloto havia comentado ao ver que seria minha primeira vez: ''O único problema é que você vai gostar''. Foi justamente isso o que aconteceu. A sensação que se tem ao voar de parapente é maravilhosa e aquele friozinho na barriga que a gente sente vez ou outra, me acompanhou ao longo dos seis minutos que permaneci voando.
O vôo ocorreu durante o 5º Festival de Vôo Livre, nos dias 28 e 29 de janeiro, em Ribeirão Claro (24 km a leste de Jacarezinho). Infelizmente as condições climáticas não colaboraram muito, pois segundo o piloto e instrutor Ronaldo Carpinski, se houvesse mais vento, poderíamos ter voado mais tempo.
O momento da ''decolagem'', termo utilizado pelos adeptos do esporte radical, foi o mais difícil. Há uma excitação enorme no momento que seus pés deixam o chão do Morro do Gavião de 400 metros de altura pela primeira vez e a respiração oscila conforme a terra parece desaparecer violentamente de seus pés.
Por alguns segundos te passa pela cabeça que sua vida está presa por algumas tiras presas às suas pernas. Depois, o medo desaparece e a sensação de estar voando, como um pássaro, te completa intensamente.
Ao chegar em terra firme a sensação de euforia parece ser ainda maior. Alegres ao ver uma pessoa que testava ali a coragem em voar pela primeira vez, os participantes do evento questionavam curiosos: ''E aí? O que você sentiu?'', e eu ainda sem palavras só pude responder: ''É maluco, mas é maravilhoso!''
O parapente (francês) também conhecido por paraglider (inglês), desenvolveu-se a partir do pára-quedismo, no início da década de 80, para facilitar a descida de montanhas pelos alpinistas. Com o parapente o piloto não salta de um avião como no pára-quedismo, mas sim, decola de uma montanha e uma vez no ar, o piloto pode manter-se ou ganhar altitude fazendo uso de correntes de ar ascendentes e correntes térmicas.
Segundo Carpinski, piloto e instrutor de parapente há 10 anos, ainda são poucos os adeptos do esporte no Brasil, mas a aventura tem atraído pessoas em busca de instrução, por meio do curso de vôo. ''O bom do parapente é que você comanda o vôo de acordo com o vento, você fica livre. Muitos depois que começam a voar, deixar de saltar de pára-quedas'', diz.
Outra vantagem do parapente, segundo o instrutor, é que a pessoa passa a ter a liberdade de voar a hora que quiser pois não depende de um avião como o pára-quedas, nem de investimentos muito altos. ''Com cerca de três mil dólares você compra um equipamento novo, com a vela, a selete (cadeira) e o pára-quedas reserva, que é o básico. Depois você só terá o custo com o combustível para se deslocar até o topo de um morro'', comenta o piloto.
O comerciante de Ipauçú (SP), Luis Siqueira, voa de parapente há 12 anos e diz que começou a praticar o esporte por curiosidade. ''Depois que eu fiz um vôo duplo, de imediato comecei a fazer um curso em Atibaia (SP), e então não parei mais. Nestes 12 anos, levei apenas alguns sustos na hora da decolagem, mas nada demais. Depois que você começa a voar, você sente a liberdade e vontade de voar todo dia''.


