A velocidade não se compara a de uma queda brusca, em contrapartida, dada a autonomia que você tem ao fazer rapel, o tempo é suficiente para contemplar a paisagem do local. A altura de 35 metros é responsável por alguns segundos de breve vertigem para quem o pratica.
A quem não hesita em aceitar desafios ou torná-lo um hobby, caso já experimentou o rapel é uma opção para fugir da rotina e curtir o calor do Norte do Paraná. A atividade aparece como prática democrática, aventureira e segura, que cada vez mais atrai adeptos em Londrina.
Primeiro porque quase não existe contra-indicação; segundo porque incita a liberação de adrenalina; e, por último, porque há segurança com o avanço no desenvolvimento de materiais importados e nacionais, aliado ao aperfeiçoamento técnico dos praticantes.
Em plena área urbana de Londrina, o local mais frequentado para essa atividade está localizado na zona Sul (Conjunto Cafezal), em uma antiga pedreira conhecida por ''Clark'', com altura equivalente a de um prédio com 10 andares.
Considerado como conjunto de técnicas de descida vertical em cordas, o rapel se originou do alpinismo na França, quando era utilizado na busca de pessoas perdidas nos Alpes. Hoje, tais técnicas vêm sendo praticadas como esporte radical, sejam em paredes especialmente desenvolvidas para a atividade, grutas, montanhas, cachoeiras, e até mesmo prédios e pontes, na ausência de um cenário permeado de belezas naturais, como no caso, a Pedreira Clark.
O que você precisa para entrar nessa peripécia? De segurança, acima de tudo, inclusive na escolha do profissional responsável pela sua iniciação. Para quem já se entusiasmou com algumas descidas, a regra de ouro é escolher com cautela os equipamentos e praticar o rapel sempre acompanhado.
Trata-se de uma atividade simples, mas é essencial que você faça um curso ou se informe a respeito da qualificação da pessoa que irá te acompanhar durante a prática. E então, vamos descer?
Primeiro passo, a instalação dos equipamentos. Cerca de 100 metros de cordas (nylon ou kevilar) com 10,4 milímetros de diâmetro suportam até sete mil quilos. Vale a dica do instrutor Jeferson Barbosa, soldado do Corpo de Bombeiros de Londrina, com pós-graduação em Educação Física e formação em curso de resgate em montanhas.''Procure cordas com o selo UIAA (União Internacional da Associação dos Alpinistas), uma entidade que engloba fabricantes e submete todo equipamento de escalada a rigorosos testes de segurança''.
Mas afinal, como as cordas são presas? Com exímia técnica foram utilizados seis tipos de nós, com alguns nomes curiosos Lais Guia, Oito Duplo, Oito Simples, Coelho, Marchan e Volta do Fiel). Para garantir a segurança, um complexo sistema: a principal ancoragem fica na árvore, seguindo para o back-up (estrutura de ferro enterrada a um metro e sessenta do solo), unidos por um sistema cruzado de nós.
Somadas às cordas, os cordeletes (cordas de pequeno diâmetro) são usados para uso de apoio em alça, confecção de cadeirinhas e até mesmo na ancoragem. Os ''mosquetões'' são elos de duralumínio ou aço que apresentam um fecho com mola para encaixe de outros equipamentos, como cordas, alças de fita e outros mosquetões. Pode ser considerado uma das peças mais importantes e versáteis da prática.
O controle do atrito, ou seja, ficar parado, descer devagar ou mais rápido, é realizado pela mão que fica abaixo do ''freio oito'' quanto mais frouxa estiver a corda, menor o atrito e maior a velocidade de descida. A ''cadeirinha'' ou ''baudrier'' é um equipamento que mantém o praticante preso à corda, indispensável para a prática do rapel. Atualmente são bastante sofisticados e com formato apropriado para não gerar desconforto.
O capacete contribui para uma significativa diminuição de possíveis ferimentos causados por pedregulhos que possam deslizar durante a prática. A luva é fundamental para reduzir o atrito da corda com a mão. Para se ter uma idéia, após uma descida simples de rapel, o freio oito atinge temperatura elevadíssima, o que pode causar queimadura se em contato direto com a pele.
Dominada a técnica, é possível até pegar impulso na rocha e descer em saltos, como em filmes de ação. Mas lembre-se: executar um rapel seguro não é apenas conectar o equipamento na corda e descer. A prática tem início a partir do momento em que você decide executá-la.

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