Avenida já foi um lugar de glamour
Conhecida como ''boca maldita'', a avenida ganhou fama de ser o local por onde escoam a prostituição, o tráfico e as esquisitices humanas. A bióloga Sirlei Terezinha Benemann, com formação em ecologia e recursos naturais, caminha e observa a vida na Leste-Oeste. A bióloga vê na avenida várias rotas de fuga. O terminal urbano e a rodoviária sinalizam por onde se pode fugir.
Existe ainda a alimentação fácil. Sirlei espanta-se com a variedade e a quantidade de lugares que oferecem alimentos baratos para as diferentes personalidades, tipos ou gêneros humanos, que podem escolher os locais adequados para a situação desejada e os alimentos que estão ao seu alcance.
Na avenida Leste-Oeste, o instinto humano está à flor da pele, pelas oportunidades que o local oferece em termos de sobrevivência e fuga. ''Ninguém olha nada com atenção, a avenida é um corredor humano totalmente utilizado por pessoas. Vielas em toda a sua extensão propõem esconderijos. O local está ocupado pelo oportunismo, ou seja, existe aqui o domínio de uma única 'espécie' e não cabe outra'', conclui a bióloga com bom humor.
''A Leste Oeste já foi um lugar de glamour'', lembra Agnelo Alves Costa, a travesti que escolheu ser Skarlett Ohara Costa e que, hoje, aos 42 anos, ainda sobrevive dos fiéis clientes que conquistou aos 17 anos, quando caiu na vida. A avenida foi eleita pelos profissionais do sexo como point desde a década de 80, por ocasião da desativação da linha férrea, quando foi reformada.
O local escolhido por eles fica na altura do INSS e Cismepar, e o horário é sempre o mesmo, entre 21 horas e 6 horas da manhã. ''As meninas ainda estão lá, hoje vão mais peladas, na minha época éramos um show à parte, muito bem vestidas, com transparências, paetês e brilhos'', lembra Skarlett. Ela afirma que as pessoas passavam de carro para apreciarem o movimento e o luxo.
''Éramos exuberantes e preocupadas em trazer o universo feminino para a avenida, tínhamos códigos de conduta, cuidávamos desde o tom de voz suave, até da depilação da barba, só usávamos maquiagem da Payot, as sandálias eram de marca Czarina, que hoje nem existem mais'', diz.
Os travestis que hoje fazem ponto ali não são importunadas pela polícia. Estão garantidos pela Lei Municipal 8812 que protege os homossexuais e o direito deles irem e virem. ''Mas o movimento caiu muito com o advento da AIDS e a prostituição feminina, que hoje é principalmente praticada por menininhas, o que afastou os homens de nós'', ressalta Skarlett.(M.A.)





