Automotivo terá 20 mil funcionários
Automotivo terá 20 mil funcionários
O advento do pólo automotivo no Paraná vai empregar 20 mil pessoas até 1999 na Região Metropolitana de Curitiba, embora desse grupo apenas 2.580 funcionários trabalharão diretamente nas montadoras. A grande maioria, segundo estima a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) será ocupada pelas empresas satélites - fornecedoras e prestadoras de serviços. Atualmente são elas que estão à procura de pessoal que deverá trabalhar nas fábricas que estão sendo implantadas, afirma o coordenador de Formação Profissional da Sert, Nircélio Zabot.
Zabot informa que dos 800 funcionários contratados por empresas do setor, mais de 80% dos trabalhadores são paranaenses. Existe um programa que está qualificando os futuros empregados das fábricas, fornecendo cursos de especialização da mão-de-obra no Centro Automotivo do Paraná, instalado em Curitiba, afirma. O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes de Carvalho, informa que além de curso que prepara funcionários de chão de fábrica, há formação de executivos das montadoras, através do Isae/Mercosul, entidade ligada à Fundação Getúlio Vargas, no Centro Automotivo.
Através das agências de empregos do Sempre (Sistema Público de Emprego, antigo Sine) em Curitiba, Londrina, São José dos Pinhais, Campo Largo, Quatro Barras, Colombo, Pinhais e Piraquara, estão sendo selecionados profissionais que atendam o perfil exigido pelas montadoras. Na primeira fase, selecionamos pessoal para cobrir 70% das 2.580 vagas que serão abertas pelas montadoras, informa Zabot. Hoje, pelo menos 150 pessoas que participaram dos cursos estão sendo enviadas pela Renault e Audi/Volkswagen à Argentina, França e Alemanha para especialização.
Zabot explica que os cursos foram formulados em cima das plantas industriais das montadoras. Apesar dos bons centros de ensino do Estado, não existia profissional qualificado a operar com as modernas plantas das montadoras, informa. Para capacitar este pessoal, foram investidos pela Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho cerca de R$ 1,3 milhão, vindos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), que servirão para capacitar 2,1 mil profissionais até 1999. Depois, a secretaria pretende buscar novos recursos para capacitar outro mesmo número de pessoal. Existe uma lista de 80 mil interessadas em realizar este curso.
FormaçãoO professor Percy Engel, diretor do Senai (um dos parceiros do governo no Centro Automotivo), explica que o processo de treinamento é gradativo, mas acelerado, pois busca dar conceitos de ponta a profissionais habituados com indústrias convencionais. Quando as primeiras montadoras chegaram no País vinham com processos convencionais de produção, mas tiveram que se adequar a novos modelos. Aqui no Paraná não teremos a possibilidade de começar do zero, porque seremos obrigados a ter pessoal qualificado com a tecnologia de ponta, afirma.
Os cursos são específicos, formando profissionais multidisciplinares com conceitos em montagem, pintura, retoque e pessoal de logística. Existem outros cursos para polímeros, metais, máquinas de controle numérico computarizado e informática. A nova indústria automobilística exige domínio de informática, e da mesma forma, a de autopeças não pode fugir a esta regra. Por isso, quem quiser conseguir um bom emprego daqui para frente vai ter que colocar mais esta ferramenta no currículo, avisa o professor Engel. (I.R.)





