O discurso coerente e engajado de Rafaelly Wiest encontra eco na argumentação de Carla Amaral. A presidente e fundadora do Trangrupo Marcela Prado - o nome é homenagem a um travesti militante - soube que ''havia essa luta'' há oito anos. Por meio do movimento, ela, hoje com 35 anos, conseguiu aumentar a auto-estima ao encontrar um lugar onde as pessoas a compreendiam.
''Sempre digo que a militância não nos traz dinheiro, mas nos leva a lugares onde jamais imaginaríamos estar'', afirma. Um desses lugares é o Congresso Nacional, em Brasília, onde Carla esteve acompanhando uma votação de interesse do grupo. ''Quando poderia imaginar que um transexual iria estar ali, andando naqueles corredores, bem perto do Presidente da República?'', indaga.
Carla, que não admite ser chamada pelo nome de batismo nem pelos familiares e amigos, revela que, aos 12 anos, iniciou seu processo de auto-conhecimento, logo que percebeu o que acontecia em sua vida. ''Quando criança, achava que iria crescer e, naturalmente, me tornar uma mulher. Infelizmente, não é assim. Então, comecei a ler muito, a pesquisar. Por meio do movimento, você se descobre e sabe que não está sozinha'', acrescenta ela que, após dois anos de acompanhamento psicológico, diz estar apta a se submeter à cirurgia de mudança de sexo. ''É o meu sonho. E não importa com que idade eu venha a realizá-lo'', reconhece.
Com o apoio de órgãos municipais, Carla, Rafaelly e as demais integrantes da ONG - ao todo são oito diretoras - realizam as mais diversas ações, desde palestras até panfletagem em locais de prostituição, levando esclarecimento sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DSTs/Aids).
O Transgrupo faz parte do Conselho Consultivo da Delegacia Regional do Trabalho do Paraná (DRT-PR), pois, uma das propostas da entidade é proporcionar oportunidades de trabalho aos transexuais. ''O que queremos, na realidade, é estarmos inseridas no movimento de mulheres. A gente é aquilo que a gente sente. Somos mulheres e pronto'', conclui. (L.X.)

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