Um Brasil cada vez mais mestiço começa a aparecer nos números oficiais. Da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), surgiu um país menos branco: eles são 52,1%, contra 53,3% um ano antes. Já a proporção dos que, entre 2002 e 2003, declararam-se pretos passou de 5,6% para 5,9%; e pardos, de 39,6% para 40,5%. É a graça da mistura a se afirmar num Brasil que luta pela democracia racial e que no próximo sábado celebra o Dia Nacional da Consciência Negra.
Trezentos e nove anos após a morte do líder Zumbi dos Palmares, a mudança não se resume ao orgulho de assumir a cor da pele. Também o movimento negro anda diferente. Uma nova visão, com menos ênfase na denúncia e mais empenho em ações afirmativas, permeia a luta contra a injustiça racial.
O compositor Martinho da Vila, militante histórico da causa negra, explica que, há pouco tempo, os negros que não militavam pela igualdade racial, como Pelé, eram chamados ''embranquecidos''. ''Hoje, o que difere o branco do negro não é a cor da pele, mas a atitude política. São negros os que lutam contra a exclusão sejam eles brancos ou pardos. Negro não-engajado, branco é'', diz Martinho.
Como reconhece a secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, nesse Brasil mais mestiço, a exclusão ainda é dramática para o IBGE, no 1% mais rico, há 86% de brancos, 12,6% de pardos e só 1,4% de pretos, mas aumenta a visibilidade dos negros que venceram a fronteira da segregação.
Quem são, como vivem, o que pensam? ONGs do movimento anti-racista indicaram os 50 negros mais influentes entre os que deixaram a base da pirâmide social. Entre eles estão o sindicalista Vicentinho, os cantores Milton Nascimento, Sandra de SáIvone Lara, Jair Rodrigues, Jorge Benjor e Seu Jorge, a coordenadora da ONG Criola, Lúcia Xavier, a ginasta Daiane dos Santos, os músicos Moacir Santos, Paulinho da Viola e Djavan, o humorista Helio de la Pena e a jornalista Gloria Maria.

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